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Jovem israelense desafia Exército e se recusa a prestar serviço militar

05 abril 2013 - 11h13Arquivo Pessoal/Divulgação

O jovem israelense Nathan Blanc, 19 anos, foi condenado à prisão depois de se recusar, pela oitava vez nos últimos cinco meses, a vestir o uniforme do Exército e fazer o juramento de fidelidade que todos os soldados declaram ao se alistar às forças armadas.

De acordo com Blanc, o alistamento no Exército contradiz seus valores morais, já que a situação politica na região "não é democrática". "Na nossa região existem dois povos, o israelense e o palestino, mas só nós temos um Estado e um Exército, e nosso Exército serve para subjugar o outro povo", disse Blanc ao Terra poucos minutos depois de ser condenado a 14 dias na prisão militar, após ter reiterado sua recusa de prestar serviço militar.

Blanc se apresentou nesta terça em uma base militar próxima a Tel Aviv para declarar, pela oitava vez, que não está disposto a integrar as forças armadas. "Fui julgado por um oficial da base militar, que me perguntou se estou disposto a me alistar e eu respondi que não", disse, "na sala estávamos o oficial que me julgou, um escrivão e eu".

"Depois que declarei minha recusa o oficial determinou que eu fosse enviado à prisão militar por 14 dias, nas vezes anteriores fui condenado a 20 dias em cada julgamento". Blanc afirmou que pretende continuar se recusando "até que o Exército se canse de mim e me libere".

Serviço compulsório
O porta-voz do Exército israelense, Felix Castillo, afirmou ao Terra que Israel tem um serviço militar compulsório que se aplica a todos os homens e mulheres, com algumas exceções. "Essas exceções se devem a motivos de saúde, razões religiosas, local de moradia e outros. Civis que não obtêm liberação das Forças de Defesa de Israel e não cumprem a lei, enfrentam as consequências de seus atos".

Todos os jovens de Israel, ao alcançar a idade de 18 anos, são obrigados a servir o Exército, exceto ultraortodoxos, cidadãos árabes e mulheres casadas. No entanto, há dezenas de anos existe um movimento de recusa por razões de consciência.

Esse movimento se fortaleceu durante a Primeira Guerra do Líbano, em 1982, quando centenas de soldados, principalmente da reserva, se recusaram a prestar serviço militar no Líbano. Naquela época foi criado o movimento Yesh Gvul (existe limite/fronteira, em tradução livre) que atua até hoje.

De acordo com o ativista do Yesh Gvul, Shimri Tzameret, desde a ocupação dos territórios palestinos, na guerra de 1967, já houve milhares de casos de recusa, incluindo reservistas e soldados das forças regulares. Tzameret, 28 anos, se recusou a prestar serviço militar em 2003, junto com mais três.

Os quatro foram condenados a várias penas curtas, como no caso de Nathan Blanc e, depois de um ano, foram levados a um tribunal militar que os condenou a um ano de prisão. No total, o grupo ficou dois anos na prisão. "Mas naquela época o clima era diferente, estávamos no meio da Intifada (levante palestino) e o Exército resolveu nos tratar duramente. Espero que no caso de Nathan (Blanc) eles (o Exército) o liberem mais rapidamente", disse Tzameret ao Terra.

"Enfrentando o sistema sozinho"
"A situação de Nathan é mais difícil do que a nossa, nós éramos quatro e ele está enfrentando o sistema sozinho", acrescentou.

Blanc está disposto a prestar serviço civil em vez do serviço militar, como, por exemplo, trabalhar em um hospital. "Estou disposto a contribuir para a sociedade, mas não no contexto do Exército", disse.

Grande parte dos soldados que não quer servir o Exército por razões de consciência acabam recorrendo a psiquiatras e sendo liberados por motivos de "incapacidade". Mas Blanc diz que não quer mentir. "Quero ser liberado por razões de consciência e não alegar que tenho problemas mentais", afirmou.

A familia de Blanc apoia sua decisão. "É uma pena que não existe em Israel um dispositivo legal que permita que objetores de consciência prestem serviço civil em vez do serviço militar", disse a mãe de Nathan, Nomi Blanc, ao Terra. "Se o Exército resolver tentar quebrar Nathan, isso pode durar muito tempo, pois ele está determinado a continuar se recusando", afirmou a mãe.

Via Terra

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