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Menina pede socorro e ajuda para chamar a polícia em prova de escola

'Meu pai bate na minha mãe', diz a menina de 13 anos, que está em um abrigo sob responsabilidade do Conselho Tutelar, junto com os três irmãos

02 dezembro 2021 - 16h35Gabrielly Gonzalez, com G1

Uma menina de 13 anos, moradora de Vale do Anari (RO), escreveu um pedido de socorro em uma prova da escola, dizendo que a mãe é vítima de violência doméstica. A foto com o recado viralizou nas redes sociais nesta semana, e o caso foi encaminhado para a polícia de Machadinho D'Oeste (RO), distante cerca de 54 km.

"Desumano". Essa foi a palavra usada pelo delegado André Delta, de Machadinho D'Oeste (RO), para descrever o caso. Ele, que é responsável pela investigação, conta que encaminhou uma equipe da Polícia Civil ao endereço escrito pela menina. Mas, ao chegar na residência, foi preciso paciência e poder de convencimento para que a mulher fosse retirada do ambiente de violência doméstica.

"Nunca na minha carreira tinha visto algo parecido. Ela nunca denunciou as agressões. Quando a polícia era chamada lá, ela negava que era agredida. Ela está totalmente afetada emocionalmente por conta das agressões", contou Delta.

De acordo com o delegado, as agressões psicológicas e físicas começaram quando o casal ainda morava no Paraná. O agressor teria começado a culpar a mulher por conta da morte do primeiro filho deles. "Eles tiveram um filho lá no Paraná, onde moravam. O bebê, que tinha entre um e dois anos, foi até um paiol, ingeriu veneno de rato e morreu. Desde então, ele começou uma pressão e tortura psicológica sobre ela", relatou.

Os policiais civis de Machadinho dizem que foi preciso conversar por mais de 5 horas com a mulher para que ela decidisse sair da casa onde morava em Vale do Anari. "A gente buscou amparar ela, dar apoio. Ela não falava quase nada. Foi bem complicada a oitiva dela. Ela foi encaminhada para fazer o exame de corpo de delito, mas se recusou a tirar a roupa para o médico", conta.

A vítima foi encaminhada para a casa de parentes. Dos filhos do casal, três são meninas, sendo uma de 16 anos, outra 14 e a de 13 anos, que escreveu o recado na prova, e também um menino de 8 anos. Todos estão abrigados sob responsabilidade do Conselho Tutelar.

Ambiente hostil

O caso segue em segredo de Justiça, e o inquérito está em construção. A vítima, o agressor e os filhos foram ouvidos. Testemunhas ainda serão ouvidas.

"A vítima nega que o marido batia nas crianças, mas uma das adolescentes disse que ele agrediu uma das meninas e depois mandou as crianças embora de casa, o que é abandono de incapaz", afirmou o delegado.

As crianças também contaram que após esse episódio da expulsão de casa, sem terem para onde ir, pediram ajuda a funcionários de uma rádio no Vale do Anari. Na sequência, foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.

Foi solicitado pelo delegado que a vítima seja acompanhada por um psicólogo e um assistente social. Até o momento, o suspeito das agressões não foi preso.

Senar - Jan22

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