Após quase dois anos fechada, a passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, foi reaberta por Israel nesta semana, permitindo novamente o trânsito de pessoas a pé e de ambulâncias. A medida ocorre no contexto do cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas e possibilita tanto a saída de palestinos do território quanto o retorno daqueles que deixaram Gaza durante a guerra.
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas ao sul de Israel. Nos primeiros nove meses da ofensiva israelense em Gaza, a passagem de Rafah funcionou como uma das principais rotas de fuga da população palestina. Segundo autoridades locais, cerca de 100 mil palestinos deixaram Gaza desde o início da guerra, a maioria nesse período inicial. Parte deles contou com apoio de organizações humanitárias, enquanto outros recorreram a intermediários no Egito para obter autorização de saída.
No início de maio de 2024, o Exército de Israel assumiu o controle da região de Rafah, fechou a passagem e também o corredor Filadélfia, ao longo da fronteira com o Egito. O fechamento interrompeu uma rota essencial para o deslocamento de civis, especialmente feridos e doentes que buscavam atendimento médico fora de Gaza. De acordo com a ONU, apenas alguns milhares conseguiram sair para tratamento médico por meio de Israel ao longo do último ano, enquanto muitos ainda aguardavam cuidados no exterior.
A reabertura da passagem ocorre após o acordo de cessar-fogo mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025. Mesmo assim, o funcionamento será restrito. Israel exigirá verificações de segurança para quem entrar ou sair, e os governos israelense e egípcio limitaram o fluxo inicial. Segundo a mídia estatal do Egito e fontes palestinas ouvidas pela agência Reuters, apenas 50 pessoas por vez devem ser autorizadas a cruzar a fronteira em cada sentido nos primeiros dias.
Na segunda-feira, dezenas de ambulâncias foram vistas dos dois lados da fronteira. Algumas aguardavam no lado egípcio para transportar palestinos feridos, enquanto outras levavam pacientes de hospitais de Gaza até Rafah. O primeiro paciente cruzou a fronteira em direção ao Egito por volta das 12h50 (horário de Brasília). Organizações não governamentais estimam que cerca de 20 mil palestinos aguardavam a reabertura para buscar tratamento médico fora do território.
Apesar da retomada parcial do funcionamento da passagem, Israel mantém a proibição à entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, restrição em vigor desde o início da guerra, em um cenário marcado por ampla destruição e devastação de grandes áreas do território palestino.
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Reabertura da passagem de Rafah (Foto: AFP e AP)

