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Justiça

Caso Marielly pode ter reviravolta, revela advogado

Acusado disse que não vai mais esconder nada do que foi feito, do que aconteceu na época, e que não vai mais proteger a família

11 março 2019 - 16h36Marcos Tenório

Uma possível reviravolta pode dar novos rumos ao caso Marielly, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (11), no bairro Monte Líbano, em Campo Grande, revelou que na última sexta-feira (8) que ele teve contato com a família de Hugleice da Silva, que é apontado como o responsável pelo aborto e ocultação de cadáver de Marielly, que revelou novas informações onde o réu acusa a mãe e irmã da vítima na participação do crime.

O advogado afirmou que “quando a família de Hugleice se desagregou, coisas ocultas vieram à tona. Eu tive estas informações na última sexta e provavelmente o meu cliente vai dizer sobre outras participações no aborto, algo que inclui a mãe ou irmã da Marielly. Ele disse que não vai mais esconder nada do que foi feito, do que aconteceu na época, e que não vai mais proteger a família", revelou.

Tentativa de feminicídio

Hugleice se envolveu em outro crime, ele teria tentado matar Mayara [irmã da Marielly] com uma facada no pescoço, a vitima levou cerca de 40 pontos, o advogado disse que “em dezembro do ano passado. Meu cliente já tinha encontrado uma troca de mensagens entre a esposa e um vizinho. Na segunda vez, quando acordou mais cedo para olhar o celular dela, inclusive achou fotos nuas dela e também dele. Em seguida, houve uma discussão e ele feriu a ex", explicou.

Decisão judicial

O juiz de Sidrolândia (MS), Fernando Moreira Freitas da Silva, decidiu mandar a júri popular Hugleice da Silva, e o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes por provocarem aborto e ocultarem o corpo da jovem em maio de 2011.

Mas o pedido de prisão preventiva de Hugleice é equivocada, afirma Rosa, uma vez que o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, que realizou o procedimento de aborto, aguarda o julgamento pelo crime em liberdade. ''É uma decisão absurda. Vai prendê-lo por causa da repercussão do caso. O juiz quer holofotes'', defendeu o advogado, que entrará nesta tarde com pedido da habeas corpus.

Prisão

No dia 23 de novembro o suspeito foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no quilômetro 267, da BR-163, quando chegava em Dourados. O advogado entrou com pedido de habeas corpus e acredita que em um prazo de até 60 dias o réu seja colocado em liberdade.

Já o enfermeiro Jodimar vai responder em liberdade por ter cumprido todas as medidas cautelares impostas.

Entenda o caso

A jovem de 19 anos desapareceu quando foi levada pelo cunhado de Campo Grande até Sidrolândia, para realizar um aborto. Os dois tinham um relacionamento sexual e não queriam a criança.

Hugleice teria contratado os serviços do enfermeiro Jodimar por R$ 500. No dia 21 de maio de 2011, a jovem morreu após o aborto malsucedido. Os dois acusados levaram o corpo da vítima até a estrada vicinal a 4,2 km da rodovia MS-162, e jogaram o corpo no meio de um canavial. Ele confessou o crime e foi preso na época.

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