Menu
Menu
Busca segunda, 09 de fevereiro de 2026
Justiça

Moraes abre inquérito sobre vazamento de dados de ministros

Inquérito foi aberto sem provocação da PGR; regimento autoriza ação

16 janeiro 2026 - 14h22Luiz Vinicius

O ministro Alexandre de Mores, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um novo inquérito para apurar o suposto vazamento de dados fiscais de ministros da Corte por meio de órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal. 

O inquérito, relatado pelo próprio Moraes, foi aberto sem a provocação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal (PF), procedimento incomum, embora previsto no Regimento Interno do Supremo.

A existência da investigação, que corre sob sigilo, foi revelada pelo portal Poder 360 e confirmada pela Agência Brasil. 

A apuração surge após a imprensa revelar ligações entre familiares de ministros do Supremo e o Banco Master, instituição envolta em um escândalo de fraude financeira e cuja investigação tramita na própria Corte, sob relatoria de Dias Toffoli.

Entre as revelações está a que irmãos e primos de Toffoli venderam uma participação em um resort no Paraná a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master.

Os dois já foram alvo de mandados de busca e de prisão temporária proferidas no inquérito relatado pelo próprio ministro. 

Ainda em dezembro, o jornal O Globo revelou que o escritório de advocacia administrado por Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, fechou um contrato de R$ 129 milhões para representar o Banco Master conforme a demanda, antes do escândalo de fraude financeira vir à tona. 

Moraes tem a suspeita de que essas informações foram vazadas do Coaf ou da Receita. O ministro nega ter atuado a favor do Banco Master junto ao Banco Central.

De acordo com Moraes, reunião realizada com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tratou exclusivamente da Lei Magnitsky, aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra o magistrado.

Arquivamento - No dia 27 de dezembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar o pedido para investigar Alexandre de Moraes e sua esposa no caso do Banco Master. 

Ao arquivar o pedido de investigação, Gonet cita “absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada”.

“Veículos de imprensa não apresentaram elementos concretos ou indícios materiais que corroborem a tese de intimidação, permanecendo a narrativa no campo das suposições”, argumenta.

Ainda segundo o procurador-geral, no que diz respeito ao contrato mencionado entre Viviane e o Banco Master, não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique intervenção.

“Os relatos apresentados, portanto, são desprovidos de elementos informativos mínimos capazes de indicar a materialidade de ilícitos cíveis, penais ou administrativos”.

“A representação fundamenta-se estritamente em matérias jornalísticas - fontes secundárias destituídas de confirmação probatória autônoma - e carece de diligências prévias que lhes confiram consistência jurídica”, concluiu Gonet.

Inquérito - Apesar de criticada pelo Ministério Público e por juristas e especialistas, a abertura de inquéritos de ofício por um ministro do Supremo está prevista no Regimento Interno, que em seu Artigo 43 diz que: “ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro”. 

No momento, Moraes ocupa a presidência do Supremo, com a ausência do atual presidente, Edson Fachin, devido ao recesso do Judiciário. 

As revelações trazidas pelo caso Master têm levado Fachin a sugerir a criação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores, incluindo o Supremo.

Em seu discurso para encerrar o ano de 2025, o ministro colocou o tema entre as prioridades do tribunal para este ano. 

Reportar Erro
UNIMED

Deixe seu Comentário

Leia Também

Viatura da delegacia GARRAS -
Polícia
Justiça manda soltar policial do Garras preso em esquema de propina em Campo Grande
Local do crime - Foto: Reprodução / Processo
Justiça
Homem que matou para vingar a morte do irmão é condenado a 12 anos de prisão na Capital
Valor do IPTU tem sido alvo de reclamação -
Justiça
Justiça limita cobrança do IPTU/2026 em Campo Grande e suspende majoração
Polícia em Sete Quedas - Foto: Ilustrativa / Divulgação
Justiça
Julgamento de matador é retirado de Sete Quedas após Justiça apontar clima de medo
Alexandre Ramagem
Justiça
Ramagem nega monitoramento ilegal em depoimento ao STF
Suspeito com a arma na mão
Justiça
Desembargadores mantêm prisão de acusado por homicídio ocorrido no Jardim Leblon
Prefeitura de Rio Brilhante - Foto: Divulgação
Interior
Município de Rio Brilhante é condenado a indenizar JBS em R$ 8 milhões
TJMS contrata obra de R$ 11 milhões para anexo e reforma de gabinete dos desembargadores
Transparência
TJMS contrata obra de R$ 11 milhões para anexo e reforma de gabinete dos desembargadores
Local do crime - Foto: Reprodução / Processo
Justiça
Homem que vingou morte do irmão enfrenta júri popular hoje em Campo Grande
Desvio era para aumentar ganhos financeiros
Justiça
Servidoras da Câmara de Paranaíba são afastadas sob suspeita de desvio de R$ 190 mil

Mais Lidas

Gislaine Esther Lubas Moreira Moura
Geral
Morre a advogada e professora Gislaine Moura
Imagem ilustrativa
Polícia
Menina de 2 anos é embebedada e socorrida com traumatismo craniano na Capital
Imagem Ilustrativa
Polícia
Passageiro se sente ameaçado depois de levar 'cantada' em corrida de moto por aplicativo
Imagem Ilustrativa
Polícia
Mulher é baleada na cabeça durante ataque a tiros na Cafezais