Corinthians teme que custo do Itaquerão afete compra de jogadores
11 MAR 2014 • POR Via Uol • 10h32(Foto: reprodução)
Perto de virar realidade, o sonho da casa própria corintiana tem tirado o sono de parte dos dirigentes e conselheiros do clube. Com custos maiores do que os previstos, alteração no modo de quitação, aumento na área de ingressos populares e demora na captação de receitas, há o temor de que o Corinthians sofra mais do que o esperado para pagar a obra. E, como consequência, amargue cerca de 20 anos com dificuldades para montar times fortes.O cenário sombrio foi descrito ao blog do Perrone, do Uol, por três dirigentes alvinegros que preferem ficar no anonimato. O clube calcula que irá gastar pelo menos R$ 1 bilhão para pagar o estádio, outrora orçado em R$ 820 milhões. Boa parte do aumento se deve a juros bancários causados por empréstimos feitos por causa da demora no financiamento do BNDES.
Ninguém no Parque São Jorge duvida de que a arena irá gerar receitas robustas, mas isso não significa um caminho fácil até a dívida ser quitada. Uma das principais preocupações está relacionada a uma mudança na forma de pagamento da obra.
O clube aceitou pagar prestações maiores do que planejado inicialmente para diminuir os riscos da Caixa, que é tomadora do empréstimo de R$ 420 milhões do BNDES usados para cobrir parte das despesas. Assim, sobrará menos dinheiro por mês nos cofres do Corinthians, o que significa fôlego reduzido para contratações. Existe receio de que o clube leve duas ou três décadas para quitar o débito sem poder investir em grandes craques. Além disso, as categorias de base têm sido pouco aproveitadas atualmente.
O aperto financeiro aumenta com o projeto de ampliar o número de ingressos que a direção chama de populares na nova arena. O plano é de Andrés Sanchez, responsável pelo estádio. Inicialmente, os bilhetes mais baratos seriam vendidos apenas para atrás dos gols, locais sem assentos, ao gosto das torcidas organizadas. Porém, agora o setor Leste também terá ingressos na faixa mais baixa de preço. Nas palavras de um dos dirigentes ouvidos pelo blog, o setor Leste teria tíquetes para membros da classe B, mas agora terá para torcedores das classes C e D. Há na diretoria quem acredite numa queda de receita entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões anuais com a ampliação dos tíquetes mais baratos. Desde o começo está previsto que o estádio terá cerca de um terço de seus lugares destinados para a classe A.
A bola de neve fica maior com a demora na venda de propriedades da arena. O plano de negócios elaborado por Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do clube e que se afastou dos trabalhos no estádio, previa o início da venda de camarotes em fevereiro de 2013. Mas até agora a comercialização não começou. Isso faz com que a arena demore mais para gerar receitas.
Outra negociação que o clube custa a concretizar é a venda dos naming rights. Em fevereiro de 2012, Sanchez disse que estava perto de concluir a comercialização do nome da arena, mas até agora isso não aconteceu.
No pacote de preocupações também estão questões referentes à Copa do Mundo. Entre elas, os custos com as estruturas complementares do estádio. Segundo o Blog do Rodrigo Mattos, Sanchez admitiu recentemente que elas são de responsabilidade do clube. Essas estruturas provisórias são necessárias para os jogos do Mundial, como locais ampliados para a imprensa, mas considerados exagerados para as necessidades da arena após a Copa. No governo do estado, a estimativa é de que as obras complementares custem entre R$ 70 e R$ 84 milhões. Também segundo o Blog do Rodrigo Mattos, no entanto, a conta ficará entre R$ 50 e R$ 60 milhões.
Houve resistência do Corinthians para pagar essa despesa, e o clube ainda procura patrocinadores para a empreitada. Indagada se o Corinthians já havia feito as contratações relativas às estruturas complementares, a assessoria do COL (Comitê Organizador Local) disse que ainda não tem informações sobre os prazos referentes à execução dessas obras.
“As estruturas complementares estão planejadas em todas as sedes e os processos de contratação em andamento, porém, em São Paulo, o cronograma ainda não foi confirmado. Permanecemos trabalhando de forma integrada com as sedes para garantir contratação e montagem das estruturas entre abril e junho de maneira gradativa”, afirmou a assessoria do COL.
Tanto no clube como no Comitê Paulista da Copa há o temor de atrasos nos trabalhos de acabamento da arena. Entre os dirigentes, o receio não é nem de que o estádio não fique pronto no prazo combinado com a Fifa, 15 de abril. O medo é de que acabamentos luxuosos ganhem formas mais simples para acelerar os trabalhos.
A assessoria de imprensa da Odebrecht não comentou se havia atrasos nos trabalhos de acabamento. Por sua vez, o COL respondeu que em seu entendimento o cronograma de obras do estádio segue o estabelecido após a queda de uma parte da cobertura da arena.
Há ainda problemas com o Corpo de Bombeiros. Fonte que acompanha o caso diz que a corporação pediu escadas que permitam o acesso dos torcedores ao campo em situações de emergência. Para evitar invasões ao gramado, elas não estavam previstas no projeto original.
De acordo com a assessoria de imprensa do COL, “no dia 24 de março, haverá uma visita dos especialistas de estádios da FIFA e do COL em que será conferido o andamento do cronograma em relação à finalização da cobertura, acabamento, entorno imediato, arquibancadas provisórias e instalações complementares, a fim de alinhar as expectativas do término dos trabalhos''.