Polícia

Megatraficante de MS foge da Polícia Federal em helicóptero

Autoridades brasileiras suspeitam de que o vazamento sobre a operação tenha partido do lado paraguaio da operação. Mota é procurado pela Interpol

2 JUL 2023 • POR Yara Deckner, com G1 • 17h12

Nesta sexta-feira (30), a Polícia Federal e autoridades paraguaias fizeram uma operação na fronteira para prender o megatraficante de drogas Antônio Joaquim Mota, também conhecido como Motinha ou Dom. Paramilitares brasileiros e estrangeiros com treinamento internacional e atuação em guerras eram seguranças de Mota. Segundo uma fonte ligada à investigação, dois dias antes da ação a informação sobre a operação vazou e chegou a Dom. Ele estava em uma propriedade rural que se estende pelos dois países, entre Ponta Porã, no Brasil, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Um dia antes da deflagração da operação, um helicóptero pousou no lado paraguaio da fazenda, e o traficante fugiu do local. Há informação de que autoridades brasileiras suspeitam de que o vazamento sobre a operação tenha partido do lado paraguaio da operação. Representante da Polícia Nacional do Paraguai alegou apenas a Polícia Federal brasileira tinha acesso as informações sobre a operação. Além disso, afirmaram ainda que os proprietários da fazenda não estavam no local há meses.

Antônio Joaquim Mota é o atual líder do chamado "clã Mota", uma família que teria mais de 70 anos de atuação na criminalidade, conforme a mesma fonte. Ele é a terceira geração de uma organização criminosa e que já atuou no contrabando de café, de cigarros, de eletrônicos e que agora, se especializou no tráfico internacional de drogas, com grande influência no Paraguai e na região de fronteira com o Brasil.

Antônio Joaquim Mota, inclusive, se autodenominou Dom, segundo a Polícia Federal, em referência a Dom Corleone, o chefe da família criminosa mais poderosa na trilogia “O Poderoso Chefão”.

A organização de Mota, se especializou no tráfico de cocaína. A droga, vinda da Bolívia e da Colômbia, chega por via aérea ao Paraguai, na região de fronteira com o Brasil, e de lá segue de helicóptero para os estados de São Paulo e do Paraná, de onde é despachada para os portos de Santos (SP) e Itajaí (SC).

Mota e outros cinco integrantes da força paramilitar, entre eles os três estrangeiros, conseguiram fugir. O megatraficante brasileiro está na lista de Difusão Vermelha da Interpol e agora os outros cinco também vão ser incluídos nesta relação dos mais procurados internacionalmente.