Brasil registra o maior número de transplantes de órgãos em dez anos
Entre janeiro e setembro, 6.766 transplantes foram realizados em todo o país; o rim é o órgão mais transplantado, seguido de fígado e coração
5 JAN 2024 • POR Caroliny Martins, com Governo Federal • 16h06O tempo de espera dos pacientes que necessitam de transplante de órgãos tem reduzido. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, entre janeiro e setembro, 6.766 transplantes foram realizados em todo o país, enquanto no ano anterior foram registradas 6.055 no mesmo período.
O resultado foi o melhor dos últimos dez anos e outro dado registrado pela pasta aponta que o número de doadores também aumentou. De janeiro a setembro do ano passado, 3.060 doações se efetivaram, 17% a mais em comparação com 2022, que totalizou 2.604.
Vale lembrar que as informações referentes à 2023 são preliminares e estão sujeitas a alterações.
A coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Daniela Salomão, destaca a contribuição de várias partes na marca alcançada.
“É importante lembrar de todo o esforço dos profissionais de saúde envolvidos no processo de doação e transplante para alcançarmos este resultado. E destacar o papel das famílias doadoras por acreditarem e apoiarem o SNT na missão de ajudar a salvar vidas”, afirma. “Ressaltamos, ainda, a importância da doação consciente e altruísta”, acrescenta.
Com 4.514 cirurgias realizadas, o rim é o órgão mais transplantado com 66,72% dos procedimentos. Em segundo e terceiro lugar, aparece o fígado (1.777) e o coração (323), respectivamente.
No momento, 41.559 pessoas aguardam em lista por um transplante de órgãos. Deste total, 24.393 são homens e 17.165 são mulheres.
Políticas públicas
Com o objetivo de estimular o aumento da capacidade assistencial de transplantes e atender a demanda da população com qualidade na assistência, em setembro de 2023, foi instituído o Programa de Incremento Financeiro para o Sistema Nacional de Transplantes.
O SNT busca aprimorar todos os processos relacionados à doação e transplante, com uso de novas tecnologias, investimentos necessários, capacitações de profissionais e esclarecimentos à população por meio de campanhas publicitárias em âmbito nacional.
A ideia é conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos e tecidos e estimular profissionais de saúde a participarem da ação, promover a discussão e o esclarecimento científico para desmistificar questões que envolvem o tema.
Ainda no ano passado, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, em novembro, em conjunto com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, a lei que institui a Política Nacional de Conscientização e Incentivo à Doação e ao Transplante de Órgãos e Tecidos.
A política prevê investimentos em programas de formação continuada para gestores e profissionais da saúde e da educação que contemplem a doação de órgãos.
No âmbito educacional, será inserida uma semana de atividades no calendário escolar, em setembro, para a conscientização sobre o assunto.