Suspeitas por envolvimento na morte de pai e filho são colocadas em liberdade
Mãe e filha estavam presas temporariamente, mas prazo expirou e preventiva não foi pedida
15 JAN 2024 • POR Luiz Vinicius e Vinícius Santos • 08h25Juliene Carneiro Cunha, de 46 anos, Carla Vitoria Carneiro Cunha Delgadilho, de 20 anos, e Olga Julia Carneiro Cunha Delgadilho, de 22 anos, que estavam presas provisoriamente por supostamente terem tido participação no duplo homicídio do Santo Eugênio, em Campo Grande, foram colocadas em liberdade no final da tarde de sexta-feira (12).
Elas foram apontadas como suspeitas pela DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) que investiga as mortes de Aparecido Donizete Martins, de 63 anos, e Naique Matheus Sotareli Martins, de 28 anos, em frente a conveniência na rua Paraisópolis.
Mãe e filhas haviam sido detidas pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações) durante o cumprimento de mandado de prisão em dezembro do ano passado. Duas delas estavam na conveniência que foi apontada de fachada para o tráfico de drogas e a terceira suspeita foi encontrada em uma residência próxima do local.
Como não houve o pedido de prisão preventiva das suspeitas, o prazo da temporária acabou se encerrando e elas foram colocadas em liberdade, assim como o quarto suspeito de também estar envolvido no crime.
A defesa de Juliene, Carla e Olga chegou a entrar com dois pedidos de habeas corpus durante a prisão das suspeitas, mas ambos foram negados pela Justiça, que manteve a prisão delas durante todo o período da prisão temporária.
Investigação
As investigações começaram logo após o crime e a especializada apurou que Juliene e as filhas possuíam algumas desavenças e desentendimentos com Aparecido e Naique durante ano, tendo uma delas, sendo uma denúncia de disparo de arma de fogo, que foi o início de todos os desentendimentos, além de uma suposta denúncia de que o estabelecimento da mulher seria uma fachada para o tráfico de drogas.
Conforme consta na investigação, as desavenças que aconteceram entre as partes fizeram que com Juliene buscasse uma pessoa envolvida diretamente com o PCC (Primeiro Comando da Capital), - que seria o detento, como forma de "colocar pai e filho no lugar".
Videoconferências entre o detento e outras pessoas da facção com Naique e Aparecido foram realizadas antes do duplo homicídio. A investigação ainda trouxe que o detento e Naique possuíam uma breve relação, pois eles já havia tratado de negócio, uma vez que o rapaz praticava 'agiotagem' e chegou a receber uma motocicleta do interno como segurança de pagamento de um empréstimo.
Porém, mesmo com a facção criminosa tentando resolver o conflito entre a mulher e as filhas e as duas vítimas, nada teria sido possível, visto que aparentemente Aparecido e Naique teriam "desrespeitado" certas ordens e ido contra a facção, o que acarretou no plano de execução dos dois homens.