Abin espionou políticos, ministros do STF e advogados durante governo de Bolsonaro
PF também investiga se o ex-presidente da instituição, Alexandre Ramagem, vazou informações sigilosas para livrar filho do ex-presidente de investigações
25 JAN 2024 • POR Pedro Molina • 18h22A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quinta-feira (25) para investigar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob suspeita de ela ter fornecido informações aos filhos do ex-presidente da República Jair Bolsonaro para que eles pudessem se defender de ações na Justiça.
Um total de 21 buscas e apreensões ocorreram hoje, incluindo o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
“Os policiais federais destacados, sob a direção de Alexandre Ramagem, utilizaram ferramentas e serviços da Abin para serviços e contrainteligência ilícitos e para interferir em diversas investigações da Polícia Federal, como, por exemplo, para tentar fazer prova a favor de Renan Bolsonaro, filho do então presidente Jair Bolsonaro”, dizia trecho da decisão que embasou a operação, assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em 2021 a PF havia instaurado inquérito para apurar suposto tráfico de influência cometido por Jair Renan, conhecido como o filho 04 do ex-presidente Bolsonaro, e uma das suspeitas da corporação é que Ramagem, então presidente da Abin, teria atuado para atrapalhar as investigações.
Espionagem ilegal
No âmbito da operação, a PF descobriu que parlamentares, ministros do STF e advogados foram alvos de um esquema ilegal de espionagem durante a gestão de Ramagem.
Dentre eles estão os ex-deputados federais Joice Hasselmann e Rodrigo Maia, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e o atual ministro da Educação Camilo Santana, que foram alguns dos espionados pelo aplicativo FirstMile.
Segundo as investigações, a Abin tinha como objetivo associar Moraes e Gilmar Mendes ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e para isso realizada monitoramentos na advogada Nicole Fabre, da ONG Anjos da Liberdade, que fazia lobby contra uma portaria do Ministério da Justiça que limita o contato presencial entre advogados e detentos em presídios federais.
No caso de Maia e Hasselmann, o alvo da espionagem foi o advogado Roberto Bertholdo, que tinha proximidade com os dois, que eram tidos como adversários políticos do ex-presidente.
No caso de Santana, seu monitoramento foi feito por meio de drones na época que ele ocupava o cargo de governador do Ceará.
Já no caso de Jair Renan Bolsonaro, segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Abin também espionava Allan Lucena, personal trainer e ex-sócio de Jair Renan Bolsonaro, com o objetivo de livrar Renan de investigações.