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VÍDEO - Justiça determina retorno parcial dos ônibus na Capital: 'população clama por uma solução'

A decisão irritou os motoristas que acompanharam a audiência de conciliação

16 DEZ 2025 • POR Brenda Assis e Luiz Vinicius • 17h53
A audiência aconteceu na tarde de hoje - Luiz Vinicius

A audiência de conciliação realizada na tarde desta terça-feira (16), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), foi marcada por cobranças, trocas de posicionamentos e pela preocupação com os impactos da greve dos motoristas de ônibus em Campo Grande. No segundo dia de paralisação, a Justiça reforçou a necessidade de retomada parcial do serviço, por se tratar de uma atividade essencial.

Durante a audiência, o desembargador Cesar Palumbo destacou o prejuízo direto à população e afirmou que “a população clama por uma solução”, cobrando responsabilidade das partes envolvidas para garantir o direito de ir e vir dos usuários do transporte coletivo.

Como medida imediata, o magistrado determinou um cronograma escalonado para o retorno da frota, estabelecendo percentuais mínimos de circulação ao longo do dia. Conforme a decisão judicial, 70% dos ônibus devem voltar a operar no horário de pico da manhã, das 5h30 às 8h30. Das 8h30 até as 17h, o percentual mínimo determinado é de 50% da frota. No período de maior demanda da tarde, entre 17h e 20h, o índice volta a ser de 70%, e, após esse horário, o serviço deve funcionar novamente com pelo menos 50% dos veículos.

Na audiência, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-GC), Demétrio Freitas, afirmou que o sindicato não descumpriu a decisão judicial e que a permanência da greve é uma decisão dos próprios motoristas. Segundo ele, os trabalhadores alegam não ter condições psicológicas e financeiras para retornar às atividades diante dos atrasos salariais.

“Eu não decido nada. Quem decide são os trabalhadores. Eles dizem que estão com energia cortada, sem dinheiro para colocar comida na mesa e sem condições de trabalhar”, declarou durante o encontro.

Já o presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, afirmou na audiência que parte dos pagamentos foi realizada. Segundo ele, 50% do salário de novembro foi quitado e a primeira parcela do 13º salário foi paga dentro do prazo legal. No entanto, reconheceu que o consórcio não possui, no momento, recursos em caixa para pagar o restante dos salários.

Themis também explicou que os cerca de R$ 3 milhões repassados pela Prefeitura, referentes ao período de 1º a 12 de dezembro, não foram suficientes para cobrir todas as despesas, já que o valor precisou ser dividido entre manutenção da frota, compra de combustível e pagamento de dívidas acumuladas de meses anteriores.

Após a decisão de retorno parcial, os 250 motoristas que acompanharam a audiência saíram do plenário irritados, já que voltam a estaca zero, ou seja, sendo obrigados a trabalhar sem receber por isso.

Caso a decisão volte a ser descumprida, a multa aplicada ao sindicato será de R$ 200 mil por dia de paralisação.

 

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