Motoristas ficam no 'zero a zero' após audiência com TRT em Campo Grande: 'frustrados'
Apesar da multa de R$ 200 mil por dia, a greve irá continuar e a Capital segue sem ônibus na quarta-feira
16 DEZ 2025 • POR Brenda Assis e Luiz Vinicius • 18h53A audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (16), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campo Grande, marcou o segundo dia da greve dos motoristas de ônibus na cidade.
Após a sessão, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-GC), Demétrio Freitas, expressou frustração com a decisão do embargador, que dobrou a multa diária para R$ 200 mil em caso de descumprimento da determinação judicial. “A decisão tem que ser cumprida, mas a categoria não está cumprida. Todos estão indignados, e agora precisamos avaliar exatamente como isso pode ser feito”, afirmou.
Freitas destacou ainda que a decisão sobre a retomada ou não do serviço cabe exclusivamente aos trabalhadores. A categoria alega atrasos salariais, incluindo 50% do salário de novembro e a segunda parcela do 13º, além de benefícios como o vale-alimentação.
Durante a audiência, o desembargador Cesar Palumbo reforçou a necessidade de prestação de serviço mínimo, considerando que o transporte coletivo é essencial para a população. O magistrado determinou um cronograma escalonado: 70% da frota deve circular no horário de pico da manhã (5h30 às 8h30) e no período da tarde (17h às 20h), enquanto nos horários intermediários (8h30 às 17h) e após as 20h, a operação mínima será de 50% da frota.
O presidente do Consórcio Guaicurus, Themis de Oliveira, ressaltou que parte dos pagamentos já foi realizada, sendo 50% do salário de novembro e a primeira parcela do 13º salário foram quitados, mas reconheceu que o consórcio não possui recursos suficientes para quitar o restante dos salários neste momento. “Estamos negociando continuamente com a Prefeitura para receber os repasses devidos e buscar soluções”, disse. Segundo ele, cerca de R$ 3 milhões repassados nos primeiros 12 dias de dezembro não foram suficientes para cobrir todas as despesas, incluindo manutenção da frota e combustível.
A decisão judicial de retorno parcial da frota deixou os 250 motoristas que acompanhavam a audiência irritados, já que voltam a trabalhar mesmo sem receber integralmente. Caso a determinação volte a ser descumprida, o sindicato poderá ser multado em R$ 200 mil por dia de paralisação.
Logo após a coletiva, os trabalhadores escolheram continuar com a greve na quarta-feira.