Internacional

Putin lança míssil balístico de uso nuclear em ofensiva contra a Ucrânia

O ataque ocorreu perto da fronteira com a Polônia e elevou a tensão com Otan e Estados Unidos

9 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Folhapress • 08h52
O Orechnik atinge velocidades de até 11 vezes a do som, cerca de 13,5 mil km/h, e sai da atmosfera, o que dificulta sua detecção e interceptação - Ministério da Defesa da Rússia/Reuters

As forças da Vladimir Putin lançaram o supermíssil balístico Orechnik em um ataque aéreo de grande escala contra a Ucrânia na noite desta quinta-feira (8). A arma, de alcance intermediário e projetada para cenários nucleares, já havia sido testada contra o país em novembro de 2024.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, o ataque foi uma retaliação à suposta tentativa de Kiev de atingir uma residência de verão de Putin com drones no fim de dezembro. O presidente ucraniano Volodimir Zelenski negou a acusação e afirmou que Moscou busca sabotar as negociações de paz com Estados Unidos e Europa.

A ofensiva ocorre em meio à pressão europeia por um acordo favorável à Ucrânia e um dia após forças americanas apreenderem um petroleiro de bandeira russa transportando petróleo venezuelano embargado. Até então, Moscou reagia de forma discreta ao episódio.

Na manhã desta sexta-feira (9), a Ucrânia convocou reuniões de emergência com a Otan e o Conselho de Segurança da ONU. O alvo do Orechnik foi o maior depósito subterrâneo de gás da Europa, localizado em Strii, na região de Lviv, a menos de 100 km da fronteira com a Polônia.

Câmeras registraram os clarões às 23h46 no horário local. Ao todo, a Rússia empregou 36 mísseis e 242 drones em ataques simultâneos. Em Kiev, ao menos quatro pessoas morreram.

O Orechnik atinge velocidades de até 11 vezes a do som, cerca de 13,5 mil km/h, e sai da atmosfera, o que dificulta sua detecção e interceptação. A Ucrânia não dispõe de sensores ou sistemas capazes de neutralizar esse tipo de armamento no espaço.

Putin costuma promover o míssil como “invencível”. Após o suposto ataque à residência presidencial, Moscou anunciou a criação do primeiro batalhão operacional do Orechnik em Belarus, com alcance para atingir toda a Europa. O disparo desta quinta, porém, partiu de uma base em território russo.

O ataque é interpretado como uma demonstração de força do Kremlin em meio às negociações de paz e às tensões com Washington, liderado por Donald Trump. A ação também ocorre enquanto avançam discussões sobre garantias de segurança à Ucrânia e possíveis concessões territoriais, pontos que seguem sem consenso entre as partes.