Internacional

Vaticano tentou negociar asilo para Maduro na Rússia, diz jornal

A articulação teria sido feita pelo cardeal Pietro Parolin junto a autoridades dos EUA

10 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Folhapress • 14h50
O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin - Yara Nardi/Reuters

O cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, tentou mediar uma saída negociada para Nicolás Maduro antes da operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano em janeiro de 2026. Segundo documentos obtidos pelo jornal The Washington Post, Parolin procurou autoridades americanas em busca de uma alternativa diplomática para evitar derramamento de sangue e instabilidade na Venezuela.

A conversa mais significativa ocorreu na véspera de Natal, quando Parolin convocou o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, para obter esclarecimentos sobre os planos dos Estados Unidos para a Venezuela e propor uma saída pacífica para Maduro. O cardeal questionou se a intenção dos americanos era apenas combater o narcotráfico ou promover uma mudança completa de regime, e afirmou que a Rússia estaria disposta a conceder asilo político a Maduro, com garantias de segurança para ele e sua família.

De acordo com o relatório, Parolin reconheceu que Maduro precisava deixar o poder, mas pediu paciência e tempo à parte americana para que o Venezuelano aceitasse a oferta de asilo. Ele ressaltou que a alternativa poderia evitar um conflito maior no país sul-americano. A suposta proposta russa incluiria a possibilidade de Maduro manter sua segurança pessoal e até usufruir de parte de seus recursos financeiros enquanto estivesse fora da Venezuela.

O encontro no Vaticano foi parte de esforços diplomáticos mais amplos que envolveram não apenas a Santa Sé, mas também representantes da Rússia, do Catar, da Turquia e outros intermediários, todos tentando encontrar um “ponto de saída” para Maduro antes de uma potencial intervenção militar ou operação direta dos EUA no país.

Parolin já tinha interesse especial nas negociações relacionadas à Venezuela, em parte por sua experiência anterior na região, incluindo um período como núncio apostólico (embaixador do Vaticano) em Caracas. A conversa secreta com Burch, no entanto, foi posteriormente alvo de divulgação parcial, o que levou o Vaticano a expressar decepção por trechos confidenciais terem sido revelados sem refletir com precisão o teor completo do diálogo.

Apesar das alternativas apresentadas pela Santa Sé e outros intermediários, Maduro recusou ofertas de asilo e manteve-se no poder, o que acabou levando à ação dos Estados Unidos para capturá-lo e levá-lo a Nova York para responder por acusações relacionadas ao narcotráfico em solo americano.

A divulgação das tentativas de mediação e asilo revela uma fase delicada da diplomacia internacional em torno da crise venezuelana e mostra que, mesmo com múltiplos esforços — incluindo os do Vaticano — uma solução pacífica negociada não se concretizou antes dos eventos que culminaram na prisão de Maduro.