Brasil

Morre Manoel Carlos, autor das 'Helenas', aos 92 anos

O escritor marcou a teledramaturgia brasileira com novelas centradas no cotidiano do Rio

11 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Gshow • 10h12
Manoel Carlos - Alaor Filho/Estadão Conteúdo

O autor, diretor e escritor, Manoel Carlos, morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como Maneco, ele estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul da capital fluminense. A morte foi confirmada pelo perfil Boa Palavra, que informou que o falecimento ocorreu por volta das 20h. O velório será restrito à família e amigos próximos.

Referência da teledramaturgia brasileira, Manoel Carlos construiu uma obra marcada pela delicadeza ao tratar das relações humanas, especialmente dos vínculos familiares e da alma feminina. Sua assinatura mais conhecida foi a criação das “Helenas”, personagem recorrente em suas novelas, símbolo de mulheres fortes, contraditórias e profundamente humanas. Outro traço marcante de sua dramaturgia foi o Leblon, bairro do Rio de Janeiro que virou cenário recorrente de suas histórias, sempre retratado com conflitos intensos sob um cotidiano aparentemente leve.

Ao longo da carreira, Maneco escreveu algumas das novelas mais emblemáticas da televisão brasileira. Entre os maiores sucessos estão História de Amor (1995), Por Amor (1997), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003), produções que alcançaram grande repercussão ao abordar temas como maternidade, ética, violência doméstica, preconceito e relações afetivas.

Além das novelas, também deixou sua marca nas minisséries. Assinou obras como Malu Mulher (1980), considerada um marco ao discutir a condição feminina no Brasil, Presença de Anita (2001), adaptação do romance de Mário Donato, e Maysa – Quando Fala o Coração (2009), que retratou a trajetória da cantora Maysa.

Manoel Carlos nasceu em 14 de março de 1933, em São Paulo, mas sempre declarou seu amor pelo Rio de Janeiro, cidade que adotou como cenário e inspiração. Com uma carreira de cerca de seis décadas, ele se consolidou como um dos autores mais importantes da história da televisão brasileira, deixando um legado que atravessa gerações.