Justiça

Após 15 anos, assassino de 'Brunão' começa a cumprir pena por morte ocorrida na Valley

O crime ocorreu em 2011, "uma hora você precisa responder pelo mal que causou", comemora familiar da vítima

16 JAN 2026 • POR Sarah Chaves • 14h12
Jefferson, conhecido como 'Brunão' morreu aos 23 anos - Reprodução

O assassino do segurança Jefferson Bruno Gomes Escobar, conhecido como 'Brunão', começou a cumprir a pena à qual foi condenado pela Justiça. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (16) pela prima da vítima, Mayara Gonçalves, que acompanhou o caso desde as primeiras investigações até os julgamentos no Tribunal do Júri. Condenado por lesão corporal seguida de morte, o réu esgotou todos os recursos possíveis antes do início do cumprimento da sentença.

Segundo Mayara, a atualização foi repassada à família após o encerramento das tentativas de reversão da condenação. “Ele recorreu a todas as instâncias possíveis. Em março deste ano, completam 15 anos da morte do meu primo, e só agora ele vai começar a cumprir a pena. Hoje eu me sinto até anestesiada”, relatou. Brunão, conhecido pelo apelido e pelo porte físico, cursava Direito e era descrito por amigos como tranquilo e dedicado.

O crime ocorreu na madrugada de 19 de março de 2011, em frente ao Valley Pub, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Brunão, então com 23 anos, trabalhava como segurança do local quando tentou retirar um cliente que se envolveu em confusão dentro da boate. Do lado de fora, ele foi atingido por um soco no peito desferido por Cristhiano Luna de Almeida. A agressão foi suficiente para derrubar o jovem, que não resistiu, apesar do atendimento do Samu.

Após o ataque, Cristhiano fugiu, mas acabou localizado pela polícia em sua residência, no bairro Chácara Cachoeira, e preso. Ele foi autuado por lesão corporal seguida de morte. À época, a polícia informou que o agressor já possuía passagem por lesão corporal em uma briga ocorrida em 2009. 

O processo judicial se estendeu por anos. Em novembro de 2017, Cristhiano foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado. A defesa, contudo, conseguiu anular o julgamento. Na segunda condenação em dezembro de 2021, a pena foi fixada em 10 anos, após os jurados acolherem a tese de lesão corporal seguida de morte, afastando o homicídio doloso.

Em março de 2023, a pena passou por reavaliação no segundo grau. Já em 2024, a defesa apresentou pedido de indulto, alegando tempo de prisão preventiva, cumprimento de prisão domiciliar e formação acadêmica, além de tentar novo habeas corpus para retardar o início da execução da pena.

Para a família, a confirmação de que o condenado finalmente começará a cumprir a sentença não apaga a dor da perda, mas representa um marco simbólico de responsabilização. “Mesmo que você tenha acesso à Justiça e bons advogados, uma hora você precisa responder pelo mal que causou”, afirmou Mayara.