Saúde

Prefeitura faz "maquiagem" às pressas no SAMU para tentar enganar Ministério da Saúde

Denúncia de socorristas expõe que a gestão municipal de Campo Grande tenta esconder problemas nas unidades

20 JAN 2026 • POR Vinícius Santos • 11h15
Ambulâncias do Samu 192 - Foto: Divulgação

Operação “maquiagem”. É assim que servidores do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) definem as ações emergenciais da prefeitura de Campo Grande, em razão da fiscalização do Ministério da Saúde, marcada para hoje (20).

Denúncias de servidores do Samu ao JD1 Notícias mostram que, desde o último fim de semana, bases anexas às UPAs e CRSs recebem limpezas emergenciais, ajustes estruturais e ordens fora da rotina, tudo para simular um funcionamento que, segundo os trabalhadores, não existe no dia a dia.

Segundo as denúncias, a coordenação do Samu determinou que nenhuma viatura pode ficar parada durante a fiscalização, mesmo aquelas que normalmente apresentam problemas mecânicos, operam de forma limitada ou nem rodam. A regra vale durante todo o dia, e todas devem estar em operação, custe o que custar, apenas para mostrar serviço aos fiscais federais.

Servidores relatam que a realidade cotidiana é bem diferente do cenário que a Prefeitura estaria tentando montar. Falta de estrutura, precariedade, bases em condições mínimas. “É maquiagem. Depois que a fiscalização vai embora, tudo volta a ser como antes”, afirmou um servidor.

Mensagens repassadas pela coordenação do Samu reforçam o clima de operação emergencial. Há ordem para que todos os servidores estejam com uniforme completo, cobrança imediata de limpeza de bases e viaturas e aviso prévio sobre a visita de supervisores do Ministério da Saúde em bases como Centro, Bahia, Coronel Antonino e Almeida.

Para os trabalhadores, fica claro que a prefeitura só corre atrás quando corre o risco de se queimar. No dia a dia, ignora totalmente os problemas das bases e das viaturas, enquanto quem salva vidas sofre com a falta de estrutura — e a população, que depende do serviço nos momentos de urgência e emergência, paga o alto preço pelo desserviço, que não é culpa dos servidores.

Fontes ouvidas pela reportagem indicam que os supervisores do Ministério da Saúde podem estar averiguando denúncias registradas no ano passado sobre irregularidades no Samu. As viaturas, entregues em abril de 2025, já estão emplacadas e asseguradas, mas estavam paradas no pátio da Secretaria Municipal de Saúde.

A situação das viaturas paradas e das falhas no Samu também é alvo de fiscalização do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que emitiram recomendação conjunta à Prefeitura de Campo Grande exigindo a apresentação de um plano de ação com cronograma detalhado para a ativação das ambulâncias.

A visita estaria sendo tratada com absoluto sigilo, o que, segundo os servidores, apenas reforça a denúncia de que a prefeitura tenta esconder a realidade do Samu em Campo Grande.

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