Brasil

Fim da escala 6x1 pode aumentar produtividade, diz Boulos

A proposta prevê redução da jornada semanal e período de transição para empresas

21 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Agência Brasil • 13h12
Ministro Guilherme Boulos - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21) que o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6x1) pode elevar a produtividade da economia brasileira. Em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov, ele defendeu a redução da jornada e citou experiências de empresas e países que adotaram modelos com menos dias trabalhados.

Segundo o ministro, estudo da Fundação Getulio Vargas, divulgado em 2024, analisou 19 empresas que reduziram a jornada e apontou aumento de receita em 72% delas, além de melhora no cumprimento de prazos em 44%. Para Boulos, trabalhadores mais descansados tendem a produzir melhor. “Quando o trabalhador está menos exausto, o resultado aparece no desempenho”, afirmou.

Boulos também citou experiências internacionais, como a adoção da jornada 4x3 pela Microsoft no Japão, que teria registrado crescimento de produtividade, e mudanças recentes em países como Islândia e Estados Unidos. Para ele, a baixa produtividade não pode ser atribuída apenas aos trabalhadores. “Uma parte relevante desse problema está ligada ao baixo investimento privado em inovação e tecnologia”, disse.

A proposta em discussão no governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com limite de cinco dias de trabalho e dois de descanso, além de um período de transição e mecanismos de adaptação para micro e pequenas empresas. Boulos afirmou que há diálogo com o Congresso para avançar na votação ainda neste semestre.

Em fevereiro do ano passado, foi protocolada na Câmara a PEC nº 8/2025, que propõe o fim da escala 6x1 e estabelece jornada máxima de 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias, embora outras propostas sobre o tema também tramitem no Legislativo.

Ao comentar a resistência de setores empresariais, o ministro avaliou que o impacto de custos é superestimado, especialmente se houver políticas de transição. Ele fez críticas pontuais ao patamar elevado dos juros, afirmando que a taxa atual dificulta investimentos e a sobrevivência de pequenos negócios.

A taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 27 e 28 de janeiro, e o BC tem sinalizado cautela diante do cenário econômico.