Política

Governo Lula pode perder cerca de 20 ministros com candidaturas em 2026

A estratégia do Planalto é reforçar a base eleitoral do presidente nos estados

22 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Folhapress • 08h22
Presidente Lula em sua última reunião ministerial de 2025, na Granja do Torto - Lucio Tavora/Xinhua

Cerca de 20 ministros do governo Lula (PT) devem deixar seus cargos para disputar eleições em diferentes estados do país, em uma estratégia para fortalecer a base eleitoral do presidente. A estimativa considera integrantes do primeiro escalão que já manifestaram intenção de concorrer e aqueles que ocupam mandatos eletivos e podem buscar reeleição.

A orientação de Lula é para que ministros que são deputados ou senadores licenciados se afastem das pastas, garantindo candidaturas e apoio político nos estados. Caso todas as saídas se confirmem, o presidente ficará sem parte do núcleo central do governo durante o período de campanha.

Um dos pedidos diretos de Lula foi para que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deixe o cargo para disputar o Senado pelo Paraná. A deputada federal licenciada pelo PT-PR aceitou o pedido, apesar de haver expectativa de que tentasse a reeleição na Câmara. A saída de Gleisi gera incerteza sobre a condução da articulação política durante a campanha. Tradicionalmente, a pasta ficaria sob comando do secretário-executivo, atualmente Marcelo Costa, diplomata de perfil técnico. Setores do PT, no entanto, defendem um nome político à frente da área no período eleitoral.

Os ministros devem se desincompatibilizar até abril, às vésperas da campanha. Entre os integrantes do Palácio do Planalto, Rui Costa, da Casa Civil, também deve deixar o cargo para disputar o Senado pela Bahia, embora interlocutores não descartem uma nova candidatura ao governo estadual. Já Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação, deve se afastar apenas em junho, para assumir a coordenação da campanha de reeleição de Lula, repetindo o papel exercido em 2022.

Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, deve ser um dos poucos ministros do Palácio a permanecer no cargo. Apesar de poder concorrer à reeleição como deputado federal pelo PSOL-SP, ele seguirá no ministério até o fim do mandato, já que assumiu a pasta apenas em outubro.

Fora do Palácio, ao menos 12 ministros também devem se afastar. Entre os que já confirmaram publicamente estão Anielle Franco, da Igualdade Racial, que tentará o primeiro mandato como deputada federal pelo Rio de Janeiro, e Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, que buscará a reeleição como deputada por São Paulo. Carlos Fávaro, da Agricultura, deve disputar o Senado por Mato Grosso.

Jader Filho, das Cidades, anunciou que deixará o cargo para concorrer à Câmara pelo Pará, com saída prevista para março. Também já comunicaram a decisão de disputar eleições André de Paula, da Pesca, Silvio Costa Filho, dos Portos e Aeroportos, e Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chegou a cogitar candidatura à reeleição como deputado, mas desistiu em dezembro, afirmando ter atendido a um pedido do presidente.

Uma das movimentações mais recentes envolve Simone Tebet, do Planejamento, que deve se filiar ao PSB para disputar o Senado por São Paulo. O nome dela também chegou a ser ventilado para o governo paulista, caso o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não concorra novamente. Haddad já confirmou que deixará o ministério, mas não anunciou se entrará na disputa eleitoral. Tebet, natural de Mato Grosso do Sul e atualmente filiada ao MDB, migraria ao PSB para ampliar a base de Lula no estado. Marina Silva, do Meio Ambiente, também pode concorrer ao Senado por São Paulo. Já a hipótese de Geraldo Alckmin disputar o governo estadual perdeu força, e a intenção de Lula é mantê-lo como vice em 2026.

Outros ministros que podem disputar cargos no Congresso ou em governos estaduais são Macaé Evaristo, Camilo Santana, André Fufuca, Wellington Dias e Alexandre Silveira, todos à disposição das decisões do presidente. Há ainda nomes que aguardam definição, como Wolney Queiroz e Márcio França, que pretende concorrer ao governo paulista. Renan Filho já confirmou que deixará os Transportes para disputar o governo de Alagoas.

Camilo Santana é citado tanto para atuar na articulação política da campanha quanto para disputar o governo do Ceará, hipótese que dependeria de acordo com o atual governador, Elmano de Freitas. Também podem deixar o governo Paulo Teixeira e Luciana Santos.

Ministros de perfil mais técnico devem permanecer nos cargos durante as eleições, entre eles Mauro Vieira, Wellington Lima e Silva, Esther Dweck, Gustavo Feliciano, Margareth Menezes e José Múcio.