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Jovem de Campo Grande volta a sentir estímulos após tratamento para lesão medular

A pesquisa ainda está em fase de testes e não tem eficácia comprovada

27 JAN 2026 • POR Sarah Chaves • 13h49
Luiz Otávio Santos Nunez, 19 - Frida Traven Loubet/Assessoria e Articulação/Divulgação

Militar do Exército em Campo Grande, Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tornou-se um dos primeiros pacientes do país a receber a polilaminina, substância experimental estudada para auxiliar na regeneração da medula espinhal. Tetraplégico desde um acidente com arma de fogo ocorrido em outubro de 2025, o jovem recebeu a aplicação há seis dias, por decisão judicial, em um hospital militar da Capital.

A lesão atingiu as vértebras C6 e C7 e foi considerada grave, com perda dos movimentos dos braços e das pernas e ausência de sensibilidade do umbigo para baixo. A aplicação ocorreu cerca de 110 dias após o trauma, fora do prazo inicialmente previsto pelos pesquisadores para o uso compassivo da substância, o que abriu uma nova etapa no acompanhamento do caso.

Segundo a Folhapress, após o procedimento, Luiz passou a relatar mudanças no próprio corpo. Segundo ele, surgiram sensações inéditas, como calor nas pernas, percepção de toque nos pés e um leve esforço muscular nos membros inferiores. “É um movimento pequeno, mas antes não existia. Tenho certeza de que isso só aconteceu depois da aplicação”, afirmou.

A polilaminina está em fase de testes de segurança na Anvisa. O estudo é conduzido por um grupo liderado pela professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e inicialmente previa o uso apenas em casos de lesão medular completa e recente, dentro de uma janela de até 72 horas após o trauma.

Diante dos resultados observados em aplicações autorizadas pela Justiça, os pesquisadores, em acordo com o Cristália, ampliaram o atendimento para casos considerados subagudos, com até três meses de lesão. Casos mais antigos continuam fora do escopo do tratamento.

A mãe do jovem, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, afirma que a família mantém os pés no chão, mas não esconde a esperança. Segundo ela, as mudanças são perceptíveis e reais. “Sabemos da gravidade da lesão e da expectativa que isso pode gerar, mas sentimos uma melhora clara”, disse.

Luiz já iniciou um programa intensivo de fisioterapia, apontado como fundamental para potencializar os efeitos do tratamento. A substância ainda não pode ser comercializada e segue restrita a estudos e autorizações judiciais.

O advogado da família, Gabriel Traven Nascimento, afirmou que a decisão de recorrer à Justiça levou em conta a falta de alternativas. “Não fazer nada também é um risco. O objetivo foi buscar uma chance real, mesmo fora do prazo ideal”, explicou.

Para os testes oficiais da pesquisa clínica, o perfil dos voluntários permanece restrito a pacientes com lesões completas e recentes, que deverão passar por reabilitação em São Paulo. Em nota, o Cristália informou que, para lesões mais antigas, ainda estão sendo feitos estudos em animais e que, por enquanto, não há comprovação de segurança ou eficácia nesses casos.

Até agora, pelo menos 17 aplicações da polilaminina já foram realizadas no país por ordem judicial. Segundo os pesquisadores, não houve registro de reações adversas até o momento.

Com Folhapress