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CPMI do INSS retoma trabalhos com foco em banqueiros e ouvirá Vorcaro

A convocação do ex-dono do Master e do presidente do BMG marca nova fase das investigações

29 JAN 2026 • POR Sarah Chaves, com Folhapress • 09h10
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro - Rubens Cavallari/Folhapress

Com a retomada dos trabalhos do Congresso se aproximando, a CPMI do INSS se prepara para uma nova fase de oitivas voltadas ao setor financeiro. O presidente da comissão, Carlos Viana, anunciou nesta quarta-feira (28) a convocação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para prestar depoimento no próximo dia 5 de fevereiro.

Além de Vorcaro, também foi chamado para depor Luiz Félix Cardamone Neto, presidente do Banco BMG. Segundo Viana, a comissão ainda atua para tentar derrubar o habeas corpus que dispensou o comparecimento de Maurício Camisotio, empresário investigado no esquema de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

Ao comentar as medidas, o senador afirmou que a comissão seguirá insistindo na oitiva dos investigados. “A CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”, escreveu Viana em uma publicação nas redes sociais.

A estratégia da comissão é usar os depoimentos de banqueiros para dar novo impulso às investigações, que apuram a atuação de entidades e instituições financeiras em descontos considerados irregulares sobre aposentadorias e pensões. A convocação de Vorcaro já havia sido aprovada na última reunião do colegiado em 2025, realizada em 4 de dezembro, quando também foram autorizadas as quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático do ex-banqueiro.

Na mesma ocasião, a CPMI solicitou ao Coaf a produção de um relatório detalhado sobre as movimentações financeiras de Vorcaro. Segundo Viana, fevereiro será um mês decisivo para o rumo da investigação. “Se entendermos que outras oitivas ou depoimentos precisam ser feitos, vamos retomar. Se nós entendermos que ali já tem embasamento suficiente para encerrarmos definitivamente, aí avançamos em direção a bancos”, disse o senador em entrevista anterior.

Ele apontou diretamente as instituições que concentram o foco da comissão. “O principal deles é o Master. O segundo, o BMG, que é o mais antigo e, naturalmente, o que mais fez contratos”, afirmou.

A defesa de Vorcaro tentou anular as decisões que autorizaram as quebras de sigilo, mas os pedidos foram negados pelo ministro Dias Toffoli. Em decisão provisória, o magistrado determinou apenas que o material já coletado fosse encaminhado à Presidência do Senado até análise definitiva do Supremo, mantendo válidas as medidas aprovadas pela CPMI e pelo juízo criminal de origem.

Vorcaro foi preso em novembro, durante a deflagração da operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes na emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central. Ele foi solto no dia 28 e passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.