Brasil

Governo brasileiro buscará novos compradores de commodities na Ásia

A agenda presidencial com comitiva de empresários prioriza carne bovina, grãos e insumos industriais

5 FEV 2026 • POR Sarah Chaves, com Folha de São Paulo • 10h20
Lula e Narendra Modi em visita do primeiro-ministro indiano à Brasília - Adriano Machado/Reuters

O Palácio do Planalto prepara uma ofensiva diplomática e comercial para ampliar o alcance do agronegócio brasileiro na Ásia e reduzir a concentração das exportações em poucos compradores. A estratégia será colocada em prática nas próximas viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará abrir novos mercados e diluir riscos diante de barreiras comerciais impostas por grandes economias.

Entre 17 e 24 de fevereiro, Lula visita Índia, com passagem por Nova Délhi, e a Coreia do Sul, onde cumpre agenda em Seul. A viagem ocorre em um contexto de maior cautela do governo brasileiro após medidas protecionistas adotadas por parceiros estratégicos, como a China, e também diante de taxações anunciadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, em 2025.

O presidente será acompanhado por uma ampla delegação empresarial organizada pela ApexBrasil. A missão reúne cerca de 150 empresários na etapa indiana e aproximadamente 100 na agenda sul-coreana, com foco na diversificação de mercados e no fortalecimento da presença brasileira em setores estratégicos.

Na Coreia do Sul, a principal aposta é a abertura do mercado para a carne bovina brasileira. A iniciativa ganha relevância após a China, maior compradora do produto, anunciar uma medida de salvaguarda válida a partir de 2026, com duração de três anos, que prevê tarifa de 55% caso as importações ultrapassem 1,1 milhão de toneladas. Em 2025, o Brasil exportou 1,65 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês.

Além das proteínas animais, o governo pretende apresentar o Brasil como fornecedor de matérias-primas para a indústria de cosméticos, setor em rápida expansão na Coreia do Sul, especialmente nos segmentos de cuidados com a pele e cabelo. A expectativa da comitiva é também avançar em negociações para atrair investimentos de empresas sul-coreanas de tecnologia.

Já na Índia, vista pelo governo como um mercado de grande potencial, a pauta é mais diversificada. O foco recai sobre grãos e aves, considerando o baixo consumo de carne bovina no país, além da abertura de novas rotas comerciais. O discurso brasileiro deve destacar o papel do cooperativismo e da agricultura familiar na segurança alimentar.

A agenda indiana inclui ainda acordos na área farmacêutica, já que parte relevante dos insumos utilizados no Brasil é importada do país asiático, além de diálogos sobre minerais críticos, terras raras e biocombustíveis. A aproximação ocorre após a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia, quatro meses atrás, quando foi firmado um acordo para aprofundar o comércio entre o país e o Mercosul, e ganhou força com a passagem do primeiro-ministro Narendra Modi pelo Brasil, em julho de 2025