Endividamento das famílias deve seguir alto no primeiro semestre de 2026
Endividamento das famílias deve seguir alto no primeiro semestre de 2026
7 FEV 2026 • POR Sarah Chaves • 18h14O endividamento das famílias brasileiras deve seguir elevado nos próximos meses, com tendência de avanço ao longo do primeiro semestre de 2026, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em janeiro, o percentual de famílias endividadas chegou a 79,5%, repetindo o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), alcançado pela primeira vez em outubro de 2025.
A avaliação da CNC é que o crédito continuará sendo utilizado como alternativa para a manutenção do consumo, especialmente em um cenário de renda pressionada. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que a inadimplência permaneça em trajetória de queda nos próximos meses, acompanhando a possível mudança no cenário de juros.
Para a entidade, o comportamento futuro do endividamento está diretamente ligado à política monetária. A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie um processo gradual de redução da taxa Selic ainda em 2026, o que tende a aliviar os juros cobrados dos consumidores a partir do segundo trimestre. Esse movimento pode contribuir para maior capacidade de pagamento das famílias, mesmo com o endividamento em patamar elevado.
A pesquisa também indica que o comprometimento médio da renda com dívidas já alcança quase 30%, o que reforça o alerta para os próximos meses. A percepção de aperto financeiro segue alta, com mais de 16% dos consumidores se declarando muito endividados, sinalizando um cenário ainda sensível.
As projeções mostram que famílias com renda entre três e cinco salários mínimos devem continuar sendo as mais pressionadas, concentrando tanto o avanço do endividamento quanto as dificuldades de pagamento. Já os consumidores com renda mais elevada tendem a apresentar maior capacidade de ajuste financeiro ao longo do ano.
O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de endividamento e deve seguir liderando esse movimento nos próximos meses, em um contexto de consumo cauteloso, juros ainda altos e expectativa gradual de melhora no ambiente econômico.