Pai de santo é preso por estuprar crianças e mulheres em Campo Grande
Ele alegou que estava 'incorporado' no momento dos crimes, não sabendo dizer o que teria acontecido
11 FEV 2026 • POR Brenda Assis • 16h11Homem de 63 anos, que exerce função religiosa de pai de santo em um centro de umbanda em Campo Grande, foi preso pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) nesta quarta-feira (11), acusado de estupro de vulnerável contra mulheres praticantes da religião.
Conforme as informações policiais, o caso foi denunciado a Polícia Civil em novembro de 2025, a partir do relato de uma das vítimas, que informou ter sido abusada sexualmente pelo indivíduo quando tinha apenas 12 anos de idade. Segundo o depoimento, o investigado alegava estar incorporado por uma entidade espiritual e, sob o pretexto de realizar trabalhos espirituais, praticava os abusos. Além desta ocorrência, há outras duas investigações em andamento envolvendo vítimas distintas, que relataram condutas semelhantes.
A medida cautelar de prisão foi decretada pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial, em razão da gravidade dos fatos, reiteração delitiva, da necessidade de resguardar a instrução criminal e de garantir a proteção das vítimas. O preso foi conduzido à sede da DEPCA, onde foi formalizada a prisão.
Durante o procedimento, foram adotadas todas as providências de polícia judiciária cabíveis, incluindo encaminhamentos para exames periciais, oitiva de testemunhas e a implementação de medidas de proteção, de forma a resguardar a dignidade, a integridade física e psicológica das vítimas. Sua conduta foi enquadrada no Artigo 217-A, caput, c/c Artigo 226, inciso II, ambos do Código Penal, que tipifica o crime de estupro de vulnerável, com aumento de pena em razão do exercício de autoridade sobre a vítima (líder religioso).
Além disso, ele foi autuado em flagrante pelo crime de posse ilegal de arma de fogo, uma vez que foi localizada uma espingarda no centro espiritual, sem a documentação necessária. Em interrogatório, o investigado afirmou que, quando estaria “trabalhando com a entidade”, sua incorporação seria “totalmente apagada” e que não teria conhecimento do que fazia nesse estado. A versão será confrontada com os demais elementos de prova colhidos no inquérito policial.
Após os procedimentos na delegacia, ele será encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes e com o rigor na apuração de crimes de violência sexual.