Brasil

Macron pede reunião com Lula em meio a acordo Mercosul-UE e debate sobre Ucrânia

Encontro pode ocorrer durante cúpula de inteligência artificial, em Nova Déli

17 FEV 2026 • POR Sarah Chaves, com Folhapress • 18h15
Após assinatura do acordo Mercosul-UE, Macron solicita reunião bilateral com Lula - Ricardo Stuckert/PR

O pedido de reunião bilateral do presidente da França, Emmanuel Macron, ao presidente Lula ocorre em meio à recente assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia e às articulações diplomáticas relacionadas à guerra na Ucrânia. O encontro pode acontecer nos próximos dias, durante a participação dos dois líderes na cúpula sobre inteligência artificial, em Nova Déli, na Índia.

A reunião, prevista para o período entre 18 e 22 de fevereiro, ainda não foi oficialmente confirmada. O pedido foi encaminhado ao Itamaraty por meio da Embaixada da França em Brasília. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro recebeu diversas solicitações de encontros bilaterais à margem do evento.

Macron e Lula viajam à Índia a convite do primeiro-ministro Narendra Modi para participar do fórum internacional sobre inteligência artificial, que discutirá regulação da tecnologia, soberania digital, segurança de dados e governança global do setor. A expectativa é reunir líderes políticos, executivos de empresas de tecnologia e representantes de organismos multilaterais.

A conversa deve retomar temas tratados no telefonema realizado no fim de janeiro e durante a visita de Estado de Lula à França, em junho do ano passado. Entre os assuntos, estão a guerra na Ucrânia e propostas de mediação internacional. Em contato anterior, os dois defenderam a centralidade da ONU e do Conselho de Segurança como instâncias legítimas para a resolução de conflitos, em contraposição à proposta americana de criação de um “Conselho da Paz”.

O encontro também ocorre em momento decisivo para o acordo Mercosul-União Europeia, assinado após 26 anos de negociações. Apesar da conclusão das tratativas, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu. Na França, produtores rurais e setores industriais pressionam por salvaguardas ambientais e comerciais adicionais, enquanto o governo brasileiro considera o pacto estratégico para o fortalecimento do multilateralismo e do comércio baseado em regras.