Política

CPI do Crime Organizado pode ouvir familiares de ministros

Parlamentares investigam supostas conexões do Banco Master com lavagem de dinheiro

18 FEV 2026 • POR Sarah Chaves, com Agência Senado • 13h51
Senador Fabiano Contarato é presidente e o senador Alessandro Vieira, relator da CPI - Carlos Moura/Agência Senado

A CPI do Crime Organizado retoma os trabalhos após o Carnaval e tem reunião deliberativa marcada para a próxima quarta-feira (25). Na pauta estão requerimentos ligados ao Banco Master, incluindo convites ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e irmãos do ministro José Antonio Dias Toffoli.

No caso de Toffoli, a convocação aprovada na comissão é direcionada a seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, e não ao ministro. Eles são citados por terem participação em empresa que negociou, com fundos ligados ao Banco Master, participação em um resort no Paraná. À época, Toffoli era relator no STF de inquérito que investigava suspeitas de fraudes envolvendo o banco, mas deixou a relatoria recentemente.

Também pode ser votado convite à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, sob a justificativa de que teria mantido contrato de prestação de serviços com o Banco Master.

A CPI ainda avalia convocações de dirigentes e ex-dirigentes da instituição financeira, entre eles o ex-CEO Augusto Ferreira Lima, o controlador Daniel Vorcaro e outros executivos da área de tesouraria, riscos e compliance. Parlamentares afirmam que a Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou possíveis conexões entre estruturas financeiras ligadas ao banco e esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos ao PCC.

Há ainda pedidos para compartilhamento de relatórios do Coaf, transferência de sigilos bancários do Master e envio de informações à Anac sobre ativos aeronáuticos vinculados a investigados.

Antes das votações, a CPI deve ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Ele foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de ligação com facções criminosas. O relator da comissão afirma que o depoimento é importante para compreender a infiltração do crime organizado em estruturas financeiras e no poder público.