Polícia

Protetor denuncia à Polícia 'extermínio' de animais saudáveis no CCZ de Campo Grande

O caso está sob investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes Ambientais e também é acompanhado pelo Ministério Público

24 FEV 2026 • POR Vinícius Santos • 10h38
Controle de Zoonoses (CCZ) / Campo Grande

Em Campo Grande, a Polícia Civil investiga a suspeita de “extermínio” de animais na Coordenadoria de Controle de Zoonoses (CCZ). O inquérito tramita em sigilo na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat), e o Ministério Público (MPMS) já foi formalmente notificado por um protetor.

Conforme apuração do JD1 Notícias, o protetor relata “extermínio” de animais saudáveis no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campo Grande, sob justificativas consideradas infundadas.

Segundo ele, ao visitar a unidade acompanhado por representantes de ONGs e protetores independentes, encontrou diversos animais em boas condições de saúde, deixados por antigos tutores, que estariam destinados à “execução” sob a alegação de leishmaniose. 

O denunciante afirmou ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) já proibiu essa prática e mencionou a existência de processo judicial, cuja decisão, segundo ele, estaria sendo descumprida.

Dentro do próprio Ministério Público Estadual, a denúncia é tratada como um “fato muito grave”, diante da suspeita de que estaria ocorrendo eutanásia de animais abandonados e saudáveis, com possível falsidade na indicação de laudos, para fazer crer que os animais estariam acometidos por leishmaniose.

Relatos — Sob condição de anonimato, o protetor contou à reportagem que o CCZ  de Campo Grande funcionaria como uma “porta de entrada para se livrar de animais”. Para explicar a gravidade da situação, relatou um exemplo: 

"Uma pessoa levaria ao CCZ o cachorro de uma colega de apartamento, saudável, e afirmaria falsamente que o animal tem leishmaniose. Ainda segundo o relato, o cão se chamaria José, mas o responsável informaria o nome como Mário, fazendo com que o laudo fosse emitido em nome diverso. “O José não pode dizer que não é o Mário; portanto, o José é abatido”, relatou o protetor.

O protetor relatou ainda como seria o atendimento no Controle de Zoonoses: “Os funcionários do CCZ, quando alguém leva um animal lá, um cachorro, digamos, para ser abatido porque disse que ele tem leishmaniose, a primeira coisa que o funcionário deveria fazer seria tentar te convencer a não abater e te explicar que há tratamento. Com 15 reais por mês, o seu cachorro pode ficar indetectável para leishmaniose. Eles não fazem isso. Eles querem te convencer a deixar o animal para ser abatido. Por isso que eu estou dizendo para você que existe um lucro que está sendo feito ao se economizar nas castrações e ao se realizar o maior número de abates possível”, afirmou.