Polícia

Delegado da Decat explica que recebe muitas denúncias falsas usadas como vingança

De 20 denúncias recebidas, 17 são falsas; Reginaldo Salomão explica que essas pessoas poderão responder por comunicação falsa de crime

26 FEV 2026 • POR Vinícius Santos • 13h54
Delegado da Polícia Civil Reginaldo Salomão - Foto: Luiz Vinicius

O delegado de Polícia Civil Reginaldo Salomão, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat), afirmou ao JD1 Notícias que a maior parte das denúncias de maus-tratos a animais recebidas pela unidade não se confirma.

Segundo ele, 85% das denúncias são falsas e apenas 15% apresentam algum indício de veracidade. O delegado explicou que, em dois dias da semana, chegaram à delegacia cerca de vinte denúncias, das quais dezessete acabam sendo descartadas após apuração.

Com documentos em mãos, Salomão relatou que muitas comunicações são feitas sem fundamento legal. “Nós temos aqui gente que quer o despejo e usa o cachorro. Nós temos aqui: ‘eu acho’, ‘eu acredito’”, disse.

O delegado também citou situações em que a percepção pessoal do denunciante é confundida com crime. “É, tem um caso aqui, que a mulher acredita que se você tem um cachorro, ele tem que dormir na cama. Isso não está na lei”, afirmou.

Ele explicou que manda os investigadores ir aos endereços, aciona os órgãos como a Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal)  no apoio e não se confirmam situações de maus-tratos. Sobre isso,  Salomão disse que irão responder por comunicação falsa de crime. 

O delegado conta que, ao apurar a situação dessas denúncias, “é encontrado histórico de briga de vizinhos, havia uma briga por causa de som alto, havia uma briga por causa de sujeira, havia uma briga por causa do uso ali, por causa de lixo. Então, é preciso ter um cuidado com esse tipo de denúncia."

Salomão comentou que dá, sim, importância às denúncias. Segundo ele, a especializada apura as comunicações recebidas, mas é necessário ter cautela antes de qualquer conclusão. “Não se trata de a Decat deixar de apurar ou de não atribuir importância às denúncias. O ponto central é a necessidade de se ter certeza de que o fato esteja ocorrendo”, afirmou.

O delegado citou como exemplo denúncias de suposto abuso sexual contra cachorro e destacou os impactos que uma acusação dessa natureza pode causar quando não há confirmação. Ele ressaltou que a pessoa colocada sob suspeita pode ter filhos e família, viver no bairro e ter crianças na escola.

“Imagine o filho de uma pessoa que não mantém qualquer relação sexual com um cachorro; é possível dimensionar o que essas crianças poderiam enfrentar no bairro, bem como os impactos na própria situação familiar, caso esse tipo de acusação se propague”, pontuou, reforçando a necessidade de cautela com esse tipo de denúncia.

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