Comportamento

Entre o silêncio e a reflexão, fiéis celebram segundo domingo de quaresma

Período de 40 dias convida à oração, penitência e transformação interior em preparação para a Páscoa

1 MAR 2026 • POR Taynara Menezes • 09h45
A Quaresma é uma das tradições mais antigas do cristianismo e marca os 40 dias de preparação para a Páscoa - Foto: Jonatas Bis

Aos domingos de Quaresma o rito litúrgico da missa muda, o roxo passa a cobrir o altar e o silêncio que substitui o "Glória" e o "Aleluia" falam mais alto que qualquer palavra. É tempo de introspecção. Tempo de deserto. Tempo de preparar o coração.

A Quaresma é uma das tradições mais antigas do cristianismo e marca os 40 dias de preparação para a Páscoa, principal celebração da fé cristã, que recorda a ressurreição de Cristo. O período começa na Quarta-feira de Cinzas, logo após o Carnaval, e segue até a Quinta-feira Santa, dia 2 de abril nesse ano. O número quarenta remete aos 40 dias em que Jesus permaneceu no deserto em oração e jejum.

Durante esse tempo, a liturgia da Igreja Católica se torna mais sóbria. A cor roxa simboliza penitência, o hino do "Glória" e o canto do "Aleluia" são suprimidos, sendo retomados apenas na Páscoa; as músicas tornam-se mais contidas e o ambiente convida ao recolhimento. A proposta é clara: refletir, rever atitudes, fortalecer a fé e praticar a caridade.

Na Igreja Católica Perpétuo Socorro, o significado desse período é reforçado a cada celebração. Antes de explicar as mudanças no rito, o Padre Celso Junior, destaca o sentido espiritual da caminhada quaresmal.

"É um período muito especial para a nossa fé. Nós fazemos uma profunda reflexão em preparação para a Páscoa, a ressurreição de Cristo. Então são 40 dias, lembrando os 40 dias que Jesus ficou no deserto, então é um tempo de oração, é um tempo de fazermos a nossa penitência, o que é preciso crescer, onde é preciso melhorar, é um tempo de caridade, porque a penitência nos leva à caridade", afirma o líder religioso.

Ele também explica as mudanças percebidas na missa ao longo desses dias. "O rito da missa também muda, mas sobre idade, músicas eucarísticas que convidam a introspecção espiritual. O que nós vemos de diferente na quaresma, nós deixamos de cantar o glória, a oração do glória e deixamos de cantar o aleluia, o aleluia geralmente nós cantamos antes do evangelho, nós guardamos a festa do glória e do aleluia para o tempo da Páscoa", destaca.

Para os fiéis, a Quaresma é um dos momentos mais intensos do calendário litúrgico. Aos 84 anos, Diógenes Veiga mantém a tradição de participar ativamente das celebrações e define o período como essencial para a vida espiritual.

"Nós consideramos o período de quaresma um dos tempos mais ricos da liturgia católica. É um tempo de conversão, de reflexão, onde nós vivenciamos ou procuramos vivenciar a oração", relata.

A vivência quaresmal também se traduz em pequenas renúncias cotidianas, que ganham grande significado espiritual. Para Vera Helena, de 67 anos, a caminhada vai além de deixar algo para trás, trata-se de renovar a própria essência.

"É muito importante para a quaresma, que celebra a Páscoa e a respeitação de Cristo. Para mim, a fraternidade é o amor, a humildade. Além da renovação espiritual, a quaresma é um convite à transformação interior, não apenas a deixar algo, mas a ser algo novo", diz.

E, como gesto concreto de penitência, ela escolheu abrir mão de um hábito que para ela é considerado seu 'ponto fraco'. "Na parte de penitencia eu retirei a Coca-Cola nesses 40 dias, será um desafio, mas essa é a ideia", conta, entre sorriso e determinação.

Mais do que um período de restrições, a Quaresma é um caminho. Um tempo de revisitar atitudes, fortalecer a fé e transformar o coração, para que, ao final dos 40 dias, a celebração da Páscoa não seja apenas uma data no calendário, mas o reflexo de uma vida renovada.