Senador pede CPI para investigar ministros do STF em caso do Banco Master
O requerimento apresentado por Alessandro Vieira mira possíveis relações entre os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Vorcaro
7 MAR 2026 • POR Sarah Chaves • 18h50O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que vai apresentar um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado com o objetivo de investigar a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso envolvendo o Banco Master.
De acordo com o parlamentar, a proposta pretende apurar possíveis relações pessoais, financeiras ou de outra natureza entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido também prevê a investigação de eventuais reflexos dessas relações sobre a atuação funcional dos magistrados.
Em publicação nas redes sociais, Alessandro Vieira afirmou que a intenção é assegurar que todos estejam submetidos às mesmas regras e reforçar princípios como independência e imparcialidade do Judiciário. Segundo ele, a apuração deve ocorrer com responsabilidade e sem prejulgamentos.
Para que a CPI seja instalada, o requerimento precisa do apoio de ao menos 27 senadores, o equivalente a um terço da composição da Casa. Caso esse número seja alcançado, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), analisar os trâmites para a eventual criação da comissão.
Após a repercussão do anúncio, o ministro Alexandre de Moraes se manifestou por meio de nota divulgada pela assessoria do Supremo.
Segundo o gabinete, uma análise técnica feita em dados telemáticos do empresário Daniel Vorcaro não identificou mensagens enviadas ao ministro.
Ainda conforme o comunicado, as mensagens de visualização única enviadas por Vorcaro em 17 de novembro de 2025 não correspondem aos contatos de Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos. A nota afirma também que os prints dessas mensagens estariam ligados a pastas de outras pessoas da lista de contatos do empresário, e não ao ministro.
O gabinete de Dias Toffoli também divulgou esclarecimentos. Em nota, informou que o ministro foi designado relator do caso por sorteio no Supremo e que, durante a tramitação dos processos relacionados à operação Compliance Zero, autorizou as diligências solicitadas pelos órgãos de investigação.
Segundo Toffoli, todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República foram deferidas, e as investigações seguiram de forma regular, sem interrupções e sem prejuízo à apuração dos fatos.