Polícia

Necrópsia virtual: Mato Grosso do Sul cria contraste próprio para tomografia forense

Método permite reconstruções 3D precisas e posiciona o estado na vanguarda da perícia no Brasil

10 MAR 2026 • POR Luiz Vinicius • 13h38
PCi-MS

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul está adotando rotineiramente uma técnica de tomografia com contraste em exames de necrópsia no IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), em Campo Grande. O diferencial é o uso de um contraste desenvolvido internamente, que reduz custos e otimiza a tecnologia disponível para perícias complexas.

A nova metodologia permite visualizar com precisão a rede vascular após o óbito, facilitando a identificação de obstruções, rompimentos ou extravasamentos internos que muitas vezes não aparecem em tomografias convencionais. Com isso, casos de hemorragias, infartos ou mortes inicialmente classificadas como indeterminadas podem ser analisados de forma mais rápida e detalhada.

A fórmula utilizada combina água, sulfato de bário e um agente estabilizador, garantindo que o contraste permaneça no sistema vascular durante todo o exame. Diferente de protocolos internacionais que dependem de insumos caros, a solução desenvolvida em Campo Grande é adaptada à realidade da segurança pública local, oferecendo eficiência a baixo custo.

O método possibilita a geração de reconstruções tridimensionais detalhadas, funcionando como uma “necrópsia virtual” que complementa o exame tradicional. Atualmente, os tomógrafos próprios do IMOL em Campo Grande e Dourados colocam Mato Grosso do Sul na vanguarda da investigação forense no Brasil.

O desenvolvimento do contraste foi conduzido pelo agente de Polícia Científica e biomédico Rodrigo Borges Gomes, como parte de sua pesquisa de mestrado no programa de Ciência dos Materiais da UFMS. O projeto conta com colaboração técnica do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal e prevê a ampliação do número de casos analisados para testar ainda mais a eficácia da solução.