Saúde

Campo Grande passa a usar raio-X com Inteligência Artificial para diagnóstico rápido de HIV

Tecnologia portátil será usada no CEDIP e no CTA e deve ampliar o rastreamento da tuberculose e de outras doenças respiratórias

12 MAR 2026 • POR Taynara Menezes • 16h12
Foto: Divulgação

Campo Grande passou a contar com um equipamento de raio-X com Inteligência Artificial que permite a realização de exames com resultado inicial praticamente em tempo real, contribuindo para o diagnóstico de doenças respiratórias, especialmente entre pessoas vivendo com HIV/Aids.

A tecnologia integra o Projeto A Hora é Agora, voltado à linha de cuidado do HIV, e será utilizada prioritariamente no Centro Especializado em Doenças Infectoparasitárias (CEDIP) e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Para a implantação da ferramenta, profissionais das equipes assistenciais e de gestão participaram de treinamento sobre o manuseio do equipamento, interpretação dos resultados gerados pela inteligência artificial e integração ao fluxo de atendimento.

O equipamento é portátil, pesa cerca de 3,5 quilos e pode ser montado em diferentes espaços, além de suportar pacientes de até 300 quilos. O sistema também possui tecnologia de grade virtual que auxilia na análise das imagens.

De acordo com o especialista da Fujifilm, Fernando Operman, o principal objetivo da ferramenta é o rastreamento da tuberculose, mas ela também ajuda na identificação de outras doenças respiratórias, como pneumonia, pneumotórax, nódulos pulmonares e lesões malignas, com precisão entre 97% e 99% para achados comuns em exames de tórax.

A tecnologia faz parte da estratégia Radiografia Rápida com Inteligência Artificial (RAIA), que combina um aparelho de raio-X ultraportátil com um software de Detecção Assistida por Computador, permitindo realizar o exame próximo ao paciente com interpretação inicial imediata.

Para o infectologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Filipe Perine, o novo equipamento deve reduzir o tempo entre o exame e o início do tratamento, além de ampliar o acesso ao diagnóstico entre pessoas mais vulneráveis. A expectativa é fortalecer o cuidado às pessoas vivendo com HIV/Aids e ampliar o rastreamento precoce da tuberculose, uma das principais causas de morte nesse grupo.