Brasil e Bolívia discutem integração energética e logística com impacto para Mato Grosso do Sul
Reunião em Brasília abordou gás natural, ferrovia Malha Oeste, hidrovia do Rio Paraguai e acordo de interconexão elétrica
16 MAR 2026 • POR Taynara Menezes • 19h10O fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Bolívia, com foco em impactos para Mato Grosso do Sul, foi tema de um encontro realizado nesta segunda-feira (16) no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.
O almoço reuniu o presidente boliviano Rodrigo Paz, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Mato Grosso do Sul Eduardo Riedel e o secretário estadual de Desenvolvimento, Jaime Verruck.
Entre os principais temas discutidos esteve a revisão de pontos regulatórios relacionados ao gás natural boliviano importado pelo Brasil por meio de Mato Grosso do Sul, considerado estratégico para a arrecadação e para o desenvolvimento industrial do Estado.
A integração logística entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia também entrou na pauta. As discussões envolveram o avanço da Hidrovia do Rio Paraguai e a situação da Malha Oeste, cuja concessão deve ir a leilão pelo governo federal até novembro, além da conexão com a ferrovia boliviana Ferroviaria Oriental.
"Foram discussões muito importantes para o Mato Grosso do Sul, como a reformulação da legislação referente ao gás, algo fundamental para que esse setor tenha mais investimentos, beneficiando diretamente o nosso Estado. Conversamos ainda sobre a hidrovia no Rio Paraguai, algo que cabe ao Governo Federal avançar, e a situação da ferrovia Malha Oeste. Lá na Bolívia eles já tem a linha Oriental", explica o governador.
Outro ponto destacado foi o acordo bilateral para interconexão dos sistemas elétricos dos dois países. A ligação deverá ocorrer entre a província boliviana de Germán Busch, no departamento de Santa Cruz, e o município de Corumbá.
"Hoje foi assinado um tratado sobre energia elétrica que para o Mato Grosso do Sul será extremamente importante, pois está garantindo mais suprimento de energia para o país e, consequentemente, para o Estado. Certamente todos esses debates feitos hoje vão chegar a uma consolidação de importantes investimentos e da uma integração econômica e estrutural Mato Grosso do Sul-Brasil-Brasil", conclui Riedel.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o projeto prevê a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e a construção de linhas de transmissão com capacidade aproximada de 420 megawatts (MW).
A troca de energia será realizada principalmente a partir de excedentes de geração de cada país, mantendo prioridade para o atendimento das demandas internas. Em casos de contingência nos sistemas elétricos, também poderão ocorrer trocas emergenciais. Cada país será responsável por financiar, construir e operar sua própria infraestrutura.
Com extensa faixa de fronteira com a Bolívia e localização estratégica no centro da América do Sul, Mato Grosso do Sul é considerado um território com potencial logístico relevante para a integração regional e para o escoamento da produção sul-americana rumo aos mercados globais.