Meio Ambiente

Lula defende integração de biomas e cooperação ambiental na COP15, em Campo Grande

Presidente ressalta importância de Amazônia, Pantanal, Cerrado e Andes para equilíbrio climático global

22 MAR 2026 • POR Vinicius Costa e Sarah Chaves • 19h55
Lula durante ato na COP15, em Campo Grande - Rogério Cassimiro/MMA

Em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22) que não haverá prosperidade duradoura na América Latina sem a proteção da biodiversidade. Durante a COP15, ele destacou a importância de corredores ecológicos que conectam biomas como a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e os Andes para o equilíbrio climático global.

Lula lembrou que Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai mantêm há quase 20 anos um memorando para a preservação de aves migratórias, protegendo 11 espécies, e citou a liderança da região na assinatura do Acordo do Escazú, que promove democracia ambiental e proteção a defensores do meio ambiente, atualmente aguardando aprovação do Senado brasileiro.

O presidente ressaltou iniciativas de cooperação internacional, como o Tratado de Recuperação da Amazônia e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, voltado ao combate coordenado a crimes ambientais, incluindo desmatamento, garimpo e tráfico de animais. Ele também mencionou projetos em andamento para a criação de santuários de baleias no Atlântico Sul e áreas marinhas protegidas na Antártica.

Lula destacou os resultados alcançados pelo Brasil desde 2023, após reconstruir políticas e instituições ambientais: o desmatamento na Amazônia caiu pela metade, no Cerrado houve redução de mais de 30% e as queimadas no Pantanal caíram mais de 90%. Segundo ele, essas ações reposicionaram o país no cenário internacional de conservação ambiental.

O presidente enumerou ainda medidas concretas adotadas recentemente, como a criação do Parque Nacional Marinho do Albardão, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal e da Estação Ecológica do Teimã, além da nova Reserva Córrego dos Vales, reforçando o compromisso brasileiro de proteger até 30% da área oceânica até 2030, conforme a Convenção sobre Diversidade Biológica.

Lula aproveitou o discurso para comentar o contexto geopolítico atual, criticando ações unilaterais e a omissão do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos e violações de direitos humanos. Ele ressaltou que a história da humanidade é marcada por migrações e conexões, defendendo políticas de acolhimento e um multilateralismo renovado.

Ao encerrar, o presidente conclamou líderes e participantes da COP15 a promover avanços coletivos na proteção ambiental e no bem-estar humano. “Que esta conferência seja um espaço de ações conjuntas em defesa da natureza e da humanidade”, afirmou.