Saúde

Estudo aponta substância de piton como possível aliada contra obesidade

Testes em camundongos indicam perda de peso sem impacto na atividade ou ingestão de nutrientes

24 MAR 2026 • POR Vinicius Costa • 10h55
Cobra Piton

Uma molécula identificada no sistema digestivo de pítons pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade, segundo estudo publicado na Nature. A pesquisa aponta que a substância tem potencial para reduzir o apetite em mamíferos, com resultados promissores em testes realizados com camundongos.

Os experimentos indicaram que a aplicação contínua da molécula levou a uma redução de 9% no peso corporal dos animais, sem efeitos colaterais aparentes. De acordo com os pesquisadores, o tratamento não alterou a ingestão de água, os níveis de atividade física nem o gasto energético dos roedores.

O estudo analisou diferenças entre os padrões de alimentação de mamíferos e pítons. Enquanto camundongos se alimentam com frequência, as serpentes conseguem permanecer entre 12 e 18 meses em jejum. Essa adaptação extrema foi fundamental para investigar mecanismos naturais de controle do apetite e metabolismo.

Após a alimentação, as pítons apresentaram aumento de cerca de mil vezes nos níveis de pTOS (para-tiramina-O-sulfato), molécula associada à saciedade. Também foi observado um crescimento superior a 40 vezes no gasto energético desses animais no período pós-prandial, medido duas horas após a ingestão de alimentos.

Embora a substância também esteja presente em mamíferos, sua atuação ocorre em menor escala. Ainda assim, os resultados sugerem que a pTOS pode influenciar a regulação hormonal ligada ao controle da fome, sem comprometer a absorção de nutrientes como glicose, lipídios e proteínas.