Após notificação, comerciantes da Afonso Pena cobram regularização prometida pela prefeitura
Vendedores de trailers afirmam que seguem regras de higiene e aguardam normas claras para continuar trabalhando
24 MAR 2026 • POR Taynara Menezes • 17h55Os vendedores ambulantes que atuam nos altos da Avenida Afonso Pena, em frente ao Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, foram notificados pela prefeitura e têm prazo de 15 dias para deixar a área pública. A ação foi realizada por fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) nesta segunda-feira (23).
Entre os trabalhadores afetados está o comerciante Pablo Taciano, que mantém um trailer no local há 15 anos. Ele afirma que a categoria tenta, há anos, regularizar a atividade, mas enfrenta entraves e promessas não cumpridas.
“Foi prometido pela prefeita a regularização. A gente cadastrou, entregou os 26 pontos cadastrados, se adequamos várias coisas que foram pedidas e, porém, nunca teve essa boa vontade da regularização”, afirma.
Para Pablo, o problema não está na organização dos trailers, mas na falta de diálogo e vontade política. Ele garante que os comerciantes seguem normas de higiene e cuidado com o lixo, usando sacos adequados e mantendo o local limpo. “Em questão de lixo não existe essa narrativa. Todos os sacos estavam fechados, usamos saco Micra 10. A maioria dos trailers que funciona diariamente é sustentável”, explica.
O comerciante também destaca que os trabalhadores ali não são apenas ambulantes temporários, mas comerciantes fixos, que atuam por anos no mesmo ponto. Segundo ele, essa distinção é ignorada pela prefeitura, que trata todos de forma genérica. “A gente fala muito que a gente é os ambulantes. Na verdade, as pessoas ali são comerciantes. Temos comércio com 5, 10, 15 anos de atividade”, defende.
Ele ainda critica a forma como a notificação foi feita, sem nenhuma tentativa de diálogo prévio. Segundo ele, os fiscais apenas fotografaram e entregaram as notificações, sem discutir possíveis soluções ou ajustes necessários. “Em momento algum tiveram a boa vontade de chamar para conversar. Eles sabem quem é o representante, sabem que a gente está ali, mas não houve diálogo”, relembra.
Mesmo com a ordem de retirada, os comerciantes garantem que estão dispostos a cumprir regras e se adequar às exigências, desde que exista uma regulamentação clara que permita a continuidade do trabalho. “A gente só precisa de uma regularização, de uma norma, de uma regra que a gente vai cumprir pra trabalhar tranquilamente”, destaca Pablo.