Comportamento

Aos 69 anos, doador encerra trajetória de 52 anos salvando vidas

Última doação foi marcada por emoção e homenagem no Hemosul, com coleta realizada pela própria filha, que seguiu o exemplo do pai

28 MAR 2026 • POR Taynara Menezes • 11h10
Domingos ao lado da filha na última doação - Foto: André Lima

Após mais de cinco décadas dedicadas à doação de sangue, Domingos Paulo Sosti, de 69 anos, realizou nesta quinta-feira (26), em Campo Grande, sua última doação. O gesto encerra uma trajetória de 52 anos marcada pela solidariedade e pelo compromisso com a vida.

A despedida aconteceu no Hemosul Coordenador e foi marcada por um momento simbólico, a coleta foi realizada pela própria filha, Vanessa dos Santos, técnica em enfermagem da unidade. A homenagem também incluiu a entrega de um certificado em reconhecimento à história do doador.

Domingos iniciou as doações aos 18 anos, em São Paulo, e manteve o hábito ao longo da vida. “Eu acho muito gratificante doar sangue, porque estamos ajudando o próximo. Já são 52 anos de doação”, afirmou.

Ele deixa de doar por ter atingido o limite de idade previsto na legislação, que é de 70 anos. “Se eu pudesse, doaria mais ainda”, disse.

Entre as histórias que marcaram sua trajetória, Domingos relembra a doação que ajudou a salvar a filha de um amigo. “Ela precisava com urgência. Isso me tocou muito, porque penso que ajudei aquela criança a ter uma vida inteira pela frente”, contou.

O reconhecimento recebido no Hemosul também abriu precedente para que outros doadores, ao atingirem o limite de idade, possam solicitar certificação semelhante. “É um sentimento de muita gratidão. Pelo que fiz até hoje, sinto que é uma bênção”, destacou.

O exemplo de solidariedade atravessou gerações dentro da família. Vanessa cresceu acompanhando o pai nas doações e decidiu seguir o mesmo caminho. “Eu sempre falava que queria ser doadora igual ao meu pai”, relembrou.

Apesar do medo de agulha, ela superou o receio e hoje também é doadora, além de atuar na área da saúde. Com 22 anos de experiência na enfermagem, trabalha há cinco meses no Hemosul.

Para ela, participar da última doação do pai foi um momento especial. “Era para ser só uma comemoração, mas acabou se tornando uma homenagem minha para ele”, disse.

Outros membros da família também foram influenciados pelo exemplo. Uma das irmãs é doadora, enquanto o irmão ainda resiste por medo, mas segue sendo incentivado.

Ao encerrar a trajetória, Domingos deixa uma mensagem de incentivo à população. “Muita gente tem medo por causa da agulha, mas não dói. Doar sangue é um gesto de amor. Todos deveriam doar, porque estamos salvando vidas”, afirmou.