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Mistura de etanol na gasolina pode subir para 32%

A medida em estudo deve ampliar a demanda por anidro

9 ABR 2026 • POR Sarah Chaves, com CNN • 09h36
José Cruz/Agencia Brasil

O governo federal estuda elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina ainda no primeiro semestre de 2026. A medida, em análise pelo Ministério de Minas e Energia, tem potencial para ampliar de forma significativa a demanda pelo biocombustível, reduzir a necessidade de importação de gasolina e reforçar a segurança energética do país.

Na prática, cada ponto percentual adicional na mistura representa um aumento expressivo no consumo de etanol anidro. Com a elevação de dois pontos percentuais, a demanda pode crescer cerca de 1,68 bilhão de litros em um período de 12 meses. Considerando também o ajuste anterior, quando a mistura passou de 27% para 30% em 2025, o impacto acumulado chega a aproximadamente 4,2 bilhões de litros adicionais em um ano.

Com maior demanda por anidro, as usinas tendem a direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a fatia destinada ao açúcar. A expectativa é de que o etanol ganhe competitividade, impulsionado tanto pelo aumento da mistura quanto pelo cenário de preços, tornando-se mais vantajoso para os produtores.

O momento da possível implementação é considerado estratégico, já que coincide com o início da safra de cana-de-açúcar. Isso permite ajustes no planejamento industrial das usinas, especialmente no chamado “mix” de produção, que define quanto da matéria-prima será destinada ao etanol ou ao açúcar.

Outro efeito direto da medida será sobre o consumo de combustíveis. Com mais etanol anidro sendo misturado à gasolina, a demanda pelo combustível fóssil tende a cair. O volume adicional de etanol previsto equivale a mais de um mês do consumo nacional de gasolina, o que contribui para diminuir a dependência externa e equilibrar o mercado interno.

Além dos impactos econômicos, o aumento da mistura também traz ganhos ambientais. O etanol é uma fonte renovável e menos poluente em comparação aos combustíveis fósseis, o que ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e reforça compromissos de transição energética.