Especialista atribui caos em show do Guns N' Roses a falhas de logística e mobilidade
Apresentação no autódromo reuniu milhares de fãs, mas congestionamento fez público perder parte do espetáculo
10 ABR 2026 • POR Taynara Menezes • 16h12O show da banda Guns N’ Roses, realizado na noite desta quinta-feira (9) em Campo Grande, foi marcado por problemas no acesso ao Autódromo Internacional da Capital. O evento atraiu fãs de diferentes regiões, incluindo público do interior e até de países vizinhos, mas o intenso congestionamento impediu que muitas pessoas chegassem a tempo de assistir à apresentação.
Para o especialista em mobilidade urbana Fayez Rizk, o problema já era previsível e está diretamente ligado à falta de planejamento logístico adequado para um evento desse porte.
Segundo ele, a principal falha está na forma como o poder público encara a mobilidade. “Mobilidade urbana não é só trânsito. Trânsito é apenas um componente dentro de um sistema muito mais amplo, que envolve planejamento, operação e organização do deslocamento de pessoas”, afirma.
Rizk também critica a ausência de uma estrutura específica voltada à mobilidade urbana. “Nem o município, responsável por planejar e operar, possui de fato um departamento estruturado de mobilidade urbana. E o mesmo vale para o Estado”, pontua.
Outro ponto destacado pelo especialista é a deficiência na operação de tráfego durante o evento, pra ele os órgãos de trânsito priorizam apenas a fiscalização, mais próxima da segurança pública, quando deveriam investir em operação de tráfego.
Ele cita exemplos simples que poderiam minimizar o problema, como a presença de operadores orientando motoristas e o uso de sinalização temporária adequada. “Há previsão legal para isso: cones, bloqueios, proibição de estacionamento. Tudo isso poderia ter sido melhor aplicado”, diz.
Ao analisar o volume, Rizk reforça que o colapso era matematicamente previsível, devido ao número da expectativa de público. “Considerando 30 mil pessoas, seriam cerca de 6 mil veículos, o que poderia gerar uma fila de até 36 quilômetros em pista simples. É inviável”, afirma. “Mesmo com ônibus, seriam necessários cerca de 750 veículos em operação, algo difícil de viabilizar sem planejamento prévio”, calcula.
Apesar das críticas, ele avalia que há soluções possíveis para eventos futuros no local, desde que haja organização antecipada e alerta para o impacto negativo na imagem da cidade. “Com planejamento logístico e estrutura adequada, é possível atender esse tipo de demanda. Esse tipo de falha reduz a confiança do público, especialmente de quem veio de fora e movimentou a economia local”, conclui.