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Show de Guns N' Roses expõe falhas de acesso e gera divergência entre organização e PRF

Grande público e impacto milionário contrastam com congestionamentos e versões divergentes sobre a origem dos problemas no acesso ao evento

10 ABR 2026 • POR Taynara Menezes • 17h50
O show aconteceu ontem - Fotos: Divulgação/Guns n' Roses

O show da banda Guns N' Roses, realizado na noite desta quinta-feira (9) no Autódromo Internacional de Campo Grande, reuniu cerca de 35 mil pessoas e expôs problemas de acesso ao local, além de gerar versões divergentes entre a organização do evento e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre as causas dos congestionamentos registrados.

Apesar da estrutura de grande porte, com cerca de 800 toneladas de equipamentos, 66 carretas e aproximadamente 2.800 profissionais envolvidos, o acesso ao evento foi marcado por longos congestionamentos e atrasos, o que gerou reclamações de público e moradores.

Em nota, a organização afirmou que o planejamento foi realizado ao longo de três meses, com acompanhamento de órgãos públicos e cumprimento das exigências operacionais. Segundo os responsáveis, o principal gargalo ocorreu na BR-262, que, por ser de pista simples, não teria suportado o fluxo simultâneo de veículos.

A produção também destacou que não possui competência legal para intervir em rodovias federais, atribuição dos órgãos públicos, e informou ter adotado medidas como apoio da PRF, uso de drones, fiscalização e restrição de veículos pesados. O atraso de cerca de uma hora e meia no início do show, segundo a organização, foi uma decisão para permitir a chegada de mais público.

A Polícia Rodoviária Federal, no entanto, contestou essa versão e afirmou que os congestionamentos não foram causados diretamente pela BR-262, mas pela dinâmica de acesso ao evento.

De acordo com a PRF, o planejamento previa múltiplas entradas e fluxo contínuo de veículos, o que não ocorreu na prática. Segundo a corporação, houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada individual de veículos, o que gerou retenções.

A PRF também apontou falhas como o uso de sistema de leitura de QR Code para acesso, ausência de sinalização adequada e atraso na abertura dos estacionamentos, fatores que teriam contribuído para a formação das filas. Ainda assim, equipes atuaram com medidas emergenciais para reduzir os impactos.

O episódio evidenciou problemas no fluxo de acesso ao evento e a necessidade de maior alinhamento entre planejamento operacional e execução em grandes operações.

Apesar dos transtornos, o evento também teve impacto econômico positivo em Campo Grande, com ocupação hoteleira em torno de 86%, cerca de 30% do público vindo de fora do estado e geração de aproximadamente 1.500 empregos temporários.