Chikungunya mata 6 indígenas e eleva alerta na rede de saúde pública em Dourados
A taxa de positividade entre 69% e 79% indica intensa circulação viral, muito acima do aceitável em vigilância epidemiológica
12 ABR 2026 • POR Vinícius Santos • 14h10Boletim divulgado neste domingo (12) mostra a situação epidemiológica do município de Dourados quanto à transmissão de chikungunya, que atinge a cidade e comunidades indígenas. São seis óbitos confirmados pela doença, todos por critério laboratorial, sendo todos de indígenas.
A curva de positividade da chikungunya em Dourados manteve-se em níveis extremamente elevados (entre aproximadamente 69% e 79%) ao longo do período analisado, o que indica intensa circulação viral. Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, sugerindo que a epidemia segue ativa.
Conforme o boletim, Dourados está em situação de emergência em saúde pública causada pela chikungunya, com predominância de casos agudos nas duas últimas semanas na população não indígena. Já no território das aldeias, observa-se declínio desses casos.
Essa situação apresenta elevado número de internações, com início de sobrecarga nos atendimentos da rede de Atenção Primária à Saúde no território urbano, nos serviços de urgência e emergência, bem como na ocupação de leitos hospitalares.
Outro fator preocupante é a taxa de positividade dos casos, que, no momento, está em 69,1%, demonstrando que a grande maioria dos sintomáticos testados apresenta resultado positivo para a doença. Ainda de acordo com o boletim, há 2.639 casos em investigação, 713 casos descartados, 1.593 casos confirmados e 3.519 casos prováveis, o que indica que a epidemia ainda se encontra em ascensão.
Samu - Diante da crise provocada pelo avanço da chikungunya, a Prefeitura de Dourados acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para reforçar o enfrentamento à epidemia. Com o aumento das síndromes febris compatíveis com a doença, houve crescimento expressivo na demanda por atendimentos, principalmente por orientações médicas via Central de Regulação, além da ampliação das transferências interunidades.
Dados do primeiro trimestre de 2026 evidenciam o impacto direto do cenário epidemiológico sobre o serviço. Entre 1º de janeiro e 31 de março, o Samu recebeu 10.730 ligações, sendo 7.293 (cerca de 68%) originadas de Dourados.
O mês de março concentrou o maior volume, com 4.367 chamadas, o que representa um aumento aproximado de 30% na média diária em relação aos meses anteriores — passando de cerca de 106 e 109 ligações por dia, em janeiro e fevereiro, para aproximadamente 141 chamadas diárias.
O crescimento da demanda está diretamente relacionado ao avanço das síndromes febris no município.
Centro de Operações - Diante da gravidade do cenário epidemiológico, a Prefeitura de Dourados instituiu o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) para coordenar as ações de enfrentamento à epidemia de chikungunya no município.
Ações contra chikungunya - A prefeitura de Dourados, por meio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), intensificou as ações de combate à chikungunya com a instalação de armadilhas para monitoramento e controle do mosquito Aedes aegypti em regiões com maior incidência de casos na área urbana.
As medidas fazem parte de uma estratégia de enfrentamento para reduzir a proliferação do vetor e conter o avanço da doença no município, especialmente diante do aumento expressivo de casos nas últimas semanas.
A administração municipal reforça que a participação da população é fundamental nesse processo, com a manutenção de quintais limpos, eliminação de recipientes que possam acumular água e a autorização para entrada das equipes de saúde nos imóveis para inspeção e orientação.
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