Política

CPI do Crime Organizado expõe falhas no sistema de monitoramento das fronteiras

Forças Armadas tiveram orçamento de R$ 133 bilhões em 2025, mas 89% vai para pessoal e menos de 5% sobra para investimentos no SISFRON e outros projetos

14 ABR 2026 • POR Vinícius Santos • 12h11
SISFRON - Foto: Exército Brasileiro

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado faz críticas diretas à efetividade do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), programa do Exército voltado ao controle e vigilância das fronteiras brasileiras.

O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB/SE) e datado de 13 de abril de 2026, afirma que o sistema ainda apresenta resultados limitados no apoio à segurança pública.

Em trecho citado no relatório, consta que o SISFRON “até o momento tem pouco proveito para a segurança pública”, avaliação que é utilizada pela CPI para sustentar o diagnóstico de baixa efetividade do programa.

Segundo o texto, esse cenário pode trazer reflexos diretos para Mato Grosso do Sul, estado considerado estratégico por fazer fronteira com países vizinhos e por ser uma das principais rotas utilizadas por organizações criminosas no tráfico de drogas e armas.

O relatório também aponta que o sistema ainda não atingiu plena operação. Iniciado em 2012, com previsão inicial de conclusão para 2017, o projeto acumula atrasos e teria menos de 20% de operação plena. A CPI destaca ainda que o novo prazo projetado, até 2035, é considerado incerto diante das dificuldades estruturais.

Outro ponto levantado é a vulnerabilidade da fronteira em Mato Grosso do Sul, citada no documento como parte da chamada “Rota Caipira”, utilizada por facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) para o escoamento de drogas e armas. O cronograma original previa cobertura da região entre 2018 e 2022.

A CPI também critica a falta de integração entre órgãos de segurança e fiscalização. De acordo com o texto, instituições como Polícia Federal e Receita Federal não operam de forma plena com dados gerados pelo sistema, o que compromete a proposta de centralização das informações.

O relatório ainda aponta problemas orçamentários na área da Defesa, destacando que a maior parte do orçamento seria destinada a despesas com pessoal, restando uma fatia reduzida para investimentos, o que impacta diretamente o andamento de projetos como o SISFRON.

A CPI conclui que as falhas na implementação e integração do sistema reduzem sua capacidade de monitoramento das fronteiras, o que, na avaliação do documento, facilita a atuação de organizações criminosas em áreas estratégicas do país.

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