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Após 16 anos de espera, policial civil realiza transplante e ganha "nova vida"

Após 12 tentativas frustradas, compatibilidade veio na 13ª convocação e pôs fim a uma longa jornada de hemodiálise e esperança

14 ABR 2026 • POR Taynara Menezes • 14h33
Anderson com a equipe - Foto: Divulgação SES

Foram mais de 16 anos vivendo entre a esperança e a incerteza. Diagnosticado em março de 2009 com nefropatia por IgA, conhecida como doença de Berger, o investigador da Polícia Civil Anderson iniciou, poucas semanas depois, uma longa rotina de hemodiálise que se estendeu por 16 anos e 8 meses.

Nesse período, a vida passou a girar em torno de ligações que podiam chegar a qualquer momento. Cada toque do telefone carregava a possibilidade de um recomeço e, muitas vezes, também a frustração. Ao longo dos anos, ele foi convocado diversas vezes para um possível transplante, mas a incompatibilidade com os órgãos disponíveis adiava, repetidamente, o desfecho esperado.

“A gente vive esperando o telefone tocar. Pode ser a qualquer hora. Isso mexe com o psicológico, com o sono, com tudo”, relata Anderson.

A espera exigiu não apenas resistência física, mas também equilíbrio emocional. Entre viagens, tratamentos e falsas esperanças, ele seguiu trabalhando e mantendo a rotina, apoiado pela família e pelos colegas de profissão.

A virada veio no Hospital do Rocio, em Campo Largo-PR, onde Anderson permaneceu por cerca de dois anos e meio. Após mais de uma década e meia na fila e 12 convocações sem sucesso, a ligação decisiva chegou na madrugada de 13 de outubro do ano passado. Desta vez, havia compatibilidade.

“Quando deu certo, foi como ganhar uma nova vida. Foram muitos anos tentando, vendo outras pessoas conseguirem e eu tendo que recomeçar. É uma sensação que não dá para descrever”, relembra.

A história de Anderson reflete os avanços na área de transplantes em Mato Grosso do Sul, impulsionados pela integração entre saúde e logística e pelo suporte estratégico do Governo do Estado.

A SES atua de forma articulada com a Casa Militar, a CTA e a SEGOV (Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica), garantindo agilidade no transporte de equipes e órgãos, especialmente por via aérea, fator determinante para ampliar o número de procedimentos e salvar vidas.