ADEPOL sai em defesa de delegado após réu dizer que confessou crime 'espancado' na Capital
As imputações de agressão foram feitas pelo réu "Alemãozinho" durante julgamento no âmbito de um assassinato em Campo Grande
25 ABR 2026 • POR Vinícius Santos • 12h45A Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul divulgou nota pública em defesa do delegado Rodolfo Carlos Ribeiro Daltro, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após declarações feitas em plenário pelo réu Guilherme Martins Lima durante julgamento no Tribunal do Júri, em Campo Grande.
Conhecido como “Alemãozinho”, o acusado, de 26 anos, negou ser o autor dos disparos que mataram Wilver Sander de Souza, o “Corumbá”, crime ocorrido em 5 de abril de 2025, na região da Orla Ferroviária. Durante o interrogatório, ele afirmou que a confissão apresentada anteriormente teria sido obtida sob agressões. “Fui espancado”, declarou, acrescentando: “Eu inventei em cima da hora”.
O réu também afirmou que teria comunicado as supostas agressões ao juiz durante a audiência de custódia e alegou que o delegado responsável pelo caso teria visto os sinais. Em outro momento, disse: “Pode puxar na internet, é normal policial fazer uso da força”. Ainda acrescentou: “Ficou nessa sessão, o delegado viu as agressões”, afirmou.
Diante dessas declarações, a ADEPOL-MS se manifestou oficialmente, classificando as alegações como parte de estratégias defensivas comuns em julgamentos. Na nota, a entidade destacou que a atuação da Polícia Civil é baseada em método, técnica e respeito às garantias legais, com investigações estruturadas a partir de múltiplos elementos de prova, submetidos ao crivo do Poder Judiciário e ao contraditório.
A associação também ressaltou que acusações de irregularidades, quando apresentadas em plenário, frequentemente buscam deslegitimar o trabalho investigativo de forma genérica, especialmente diante de apurações consideradas consistentes.
Veja:
" NOTA – ADEPOL-MS
A Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (ADEPOL-MS) manifesta apoio ao Delegado de Polícia Rodolfo Daltro, da DHPP, diante de alegações feitas por réu em julgamento ocorrido hoje, 24/04, no Tribunal do Júri de Campo Grande.
A Polícia Civil atua com base em método, técnica e respeito às garantias legais. As investigações são estruturadas a partir de múltiplos elementos de prova, submetidos ao controle do Poder Judiciário e ao contraditório.
Alegações de irregularidades trazidas em julgamento, não raramente, revelam estratégias defensivas diante de apurações consistentes, buscando deslegitimar, de forma genérica, o trabalho investigativo.
A ADEPOL-MS reafirma sua confiança na atuação técnica e legal dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul, profissionais que exercem função essencial à Justiça."
Condenação - Mesmo com a negativa de autoria em plenário e a alegação de que teria confessado sob agressão, Guilherme Martins Lima foi condenado a 18 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado. A decisão foi proferida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, que presidiu a sessão do Tribunal do Júri realizada na sexta-feira (24).
Além da pena, o magistrado determinou o cumprimento imediato da condenação e fixou indenização de R$ 10 mil aos familiares da vítima, com correção monetária.
Durante o julgamento, a defesa — formada pelos advogados Cláudio Martins, Aparecido Tinti Rodrigues de Farias e Matias Alves da Costa — sustentou a tese de negativa de autoria, argumento que também foi reforçado pelo réu em plenário.
Apesar disso, por maioria de votos, o Conselho de Sentença não acolheu a versão apresentada e reconheceu a responsabilidade de “Alemãozinho” pelo homicídio.
JD1 No Celular
Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.