Transparência

'Folha secreta?' Prefeitura de Campo Grande leva nota zero em transparência salarial

Capital de Mato Grosso do Sul faz parte do grupo de sete capitais brasileiras que receberam pontuação 0; entenda os apontamentos

27 ABR 2026 • POR Vinícius Santos • 09h11
Bloqueio de Acesso Automatizado - Foto: Reprodução

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, aparece entre as piores cidades do país quando o assunto é transparência sobre salários de servidores públicos municipais. Segundo o Índice de Transparência das Remunerações 2026, elaborado pela Transparência Brasil, a gestão da prefeita Adriane Lopes recebeu nota zero. 

A avaliação reforça críticas já feitas por cidadãos, pesquisadores e órgãos de controle sobre o modelo adotado pela prefeitura, que em Campo Grande já ganhou o apelido de "folha secreta".

De acordo com o levantamento, a nota zero está relacionada a falhas graves no acesso às informações, como arquivos inválidos para download, ausência de dados completos sobre salários, benefícios e descontos, bloqueios técnicos que dificultam a coleta automatizada por jornalistas e fiscalizadores, além de problemas no cumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Na prática, isso significa que o cidadão encontra obstáculos para fiscalizar de forma clara e ampla como o dinheiro público é utilizado no pagamento de servidores municipais.

A chamada "folha secreta" é justamente um dos principais alvos de críticas. Isso porque a prefeitura mantém dois sistemas distintos dentro da área de cargos e salários. No campo "Remuneração dos Servidores", o acesso é mais simples e permite visualizar informações básicas, como salário base. 

Já na área de "Outros Pagamentos", onde podem constar gratificações, adicionais, indenizações e verbas extras, a consulta é mais restrita e exige CPF, matrícula funcional e nome completo do servidor modelo que, para críticos, acabou sendo denominado de "folha secreta".

Para críticos, esse formato cria barreiras à fiscalização popular, já que impede uma análise ampla e espontânea sobre pagamentos complementares, dificultando a identificação de possíveis distorções, supersalários ou uso questionável de recursos públicos.

Além de Campo Grande, também receberam nota zero Aracaju, Belém, Florianópolis, João Pessoa, Macapá e Natal. O relatório reforça que a divulgação detalhada, nominal e acessível das remunerações é obrigação constitucional e ferramenta essencial para o controle social dos gastos públicos.

Veja o documento: 

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