Bancada de MS reage à rejeição inédita de Jorge Messias ao STF
Parlamentares destacam caráter histórico e divergem sobre resultado
30 ABR 2026 • POR Sarah Chaves • 08h22A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, repercutiu entre parlamentares de Mato Grosso do Sul, que destacaram o caráter histórico e político da decisão.
A votação marca a primeira vez, em mais de um século, que uma indicação ao STF é barrada em plenário. Para a senadora Tereza Cristina, o resultado reflete a independência do Legislativo. “Foi uma votação soberana da Casa, que cumpriu seu papel constitucional de decidir sobre a composição da Corte Suprema, com independência total do Executivo”, afirmou.
O senador Nelsinho Trad também ressaltou o rito institucional. “O Senado avaliou, votou e decidiu conforme prevê a Constituição. Em uma democracia, o Parlamento tem voz, responsabilidade e independência. As instituições funcionaram”, disse.
Entre os deputados federais do Estado, a rejeição foi lida diferente. O deputado Luiz Ovando classificou o episódio como um marco. “O Senado falou. E falou alto. Pela primeira vez em 132 anos, uma indicação ao STF é rejeitada. Um fato histórico que rompe décadas de silêncio e escancara o desgaste de um sistema”, declarou. Ele afirmou ainda que a decisão representa um “limite institucional” e um recado sobre a necessidade de confiança nas indicações.
Na mesma linha, o deputado Rodolfo Nogueira resumiu o placar como um posicionamento político. “42 senadores tiveram hombridade com o Brasil”, disse.
Já o deputado Marcos Pollon afirmou que o resultado traz “esperança” diante do cenário político. Segundo ele, a rejeição impede que o indicado exercesse influência semelhante à atribuída ao governo em momentos anteriores.
Em contraponto, a deputada Camila Jara criticou a decisão e destacou o ineditismo do caso. “Não há precedente para o que aconteceu hoje no Senado. Jorge Messias tem reputação ilibada, defende a democracia e tem compromisso com o Brasil. Quem perde não é o governo. Quem perde é o povo brasileiro”, afirmou.
A rejeição obriga o governo federal a encaminhar um novo nome para a vaga no STF, reabrindo a disputa política em torno da composição da Corte.