'Sujar o nome é estratégia', diz influenciador com mais de R$ 1 milhão em dívidas
De Campo Grande, Pedro Germano promete nas redes sociais mudança de vida para seus seguidores por meio do parcelamento de solo
7 MAI 2026 • POR Da redação • 12h55Sujar o próprio nome, essa foi a estratégia do influenciador Pedro Germano Abreu da Silva, de Campo Grande, que vende nas redes sociais cursos de “mudar de vida” por meio do parcelamento de solo, enquanto acumula dívidas que ultrapassam R$ 1,1 milhão.
O caso foi confirmado pelo próprio influenciador ao ser procurado pela reportagem do JD1 Notícias. “Achei dessa forma um meio mais rápido de eu pegar uma linha, um dinheiro, fazer rodar”, declarou Pedro.
Segundo ele, a estratégia envolveu o uso do próprio nome para viabilizar crédito. Parte das dívidas inclui valores com empresas do setor privado, entre elas uma empresa de móveis planejados em Campo Grande.
Ao ser confrontado pelo repórter sobre as dívidas que ultrapassam R$ 1,1 milhão, Pedro Germano Abreu da Silva não negou. Pelo contrário, explicou abertamente como utilizou o endividamento pessoal como ferramenta de negócio.
“Eu mexo com o mercado. Estou com alguns lançamentos de empreendimento. E achei dessa forma um meio mais rápido de eu pegar uma linha, um dinheiro, fazer rodar. Porque vendendo dois, três lotes meus, eu pago tudo. Isso é uma estratégia de captação de dinheiro dentro do meu processo de parcelamento de solo.”
Pedro detalhou o raciocínio por trás do endividamento pessoal, "Eu tive que fazer algum sacrifício na pessoa física para fazer isso", afirmou, referindo-se aos cerca de R$ 500 mil em débitos com bancos. E completou, com uma confiança que contrasta com a situação, "Vendendo dois ou três lotes, eu pago tudo isso.”
Empresário de sucesso
Mesmo com dívidas altas e o nome negativado no sistema de crédito, o influenciador afirmou se considerar um empresário de sucesso diante da própria situação financeira na pessoa física. Ele respondeu sem hesitar, “Eu me considero um empresário de sucesso, porque se eu pegar anos atrás, eu não tinha nada disso.”
Confrontado de novo, sobre o cenário financeiro e o contraste entre pessoa física e jurídica, questionando a existência de restrições e o volume das dívidas. Em resposta, o influenciador afirmou, “A pessoa jurídica está ok. A pessoa física está no valor, mas esse valor não é um milhão. A minha dívida é de 500.”
Não sou influencer. Sou empresário
Pedro rejeitou o rótulo de influenciador digital, apesar de vender cursos e promover encontros pagos nas redes sociais, “Na verdade, não sou um influencer. Sou um empresário do ramo do parcelamento de solo.” Disse ainda que “O que a gente promete, a gente entrega. Não é promessa de ganho imediato, como uma pirâmide.”
O caso evidencia o contraste entre o discurso de “mudança de vida” vendido nas redes sociais e as próprias declarações do influenciador sobre o uso de dívidas pessoais como estratégia de financiamento de seus negócios, prática que, na forma como foi descrita, também levanta questionamentos sobre impactos no mercado financeiro.
Na prática, as próprias falas colocam em xeque a coerência entre o método comercializado como fórmula de transformação e o comportamento adotado na vida pessoal, já que crédito, restrições e disputas judiciais aparecem como elementos centrais do modelo apresentado ao público como caminho de prosperidade.
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