Comportamento

Apoio que gera vida: o papel das doulas no nascimento das mães

No Dia das Mães, histórias mostram como acolhimento, presença e cuidado humanizado transformam o parto e marcam o início da maternidade

10 MAI 2026 • POR Taynara Menezes • 10h12
Byanca durante o parto com a doula Tati - Foto: Fabrinny Piell

No Dia das Mães, histórias de parto ajudam a revelar um processo que vai além do nascimento do bebê: o nascimento de uma mãe. Nesse momento de transformação intensa, o trabalho das doulas aparece como um apoio essencial, oferecendo acolhimento, segurança e presença contínua durante o parto.

Mãe, com 23 anos de atuação, a doula Tatiana Marinho define esse processo como uma vivência profunda de transformação feminina. "Pra mim a mulher já se transforma em mãe assim que engravida e acompanhar o momento do nascimento é acompanhar a transformação dessa mulher em outra mulher, com mais força, empoderamento e outros medos. Cada parto carrega força, vulnerabilidade e renascimento", resume.

Segundo ela, o papel da doula é acompanhar esse momento com cuidado emocional e físico, ajudando a gestante a atravessar o parto com mais confiança. "Levo acolhimento, informação e presença. Muitas chegam com medo e dúvidas, e meu papel é ajudar a atravessar isso com mais tranquilidade. Quando a mulher se sente ouvida e respeitada, o parto deixa marcas mais positivas", explica.

A doula também destaca o significado simbólico do Dia das Mães, como um momento que vai além da celebração, mas que também carrega memórias de todas as mulheres que acompanhou ao longo da carreira.  

"É testemunhar um dos momentos mais profundos da vida. Cada parto carrega descobertas, força, vulnerabilidade e renascimento. Para mim, é uma honra estar presente nesse processo tão íntimo, oferecendo apoio para que essa mulher se sinta respeitada, segura e protagonista da própria história", destaca.

Entre essas histórias está a de Byanca Santos, mãe de dois filhos, que viveu duas experiências de parto normal com o apoio de doulas diferentes. No segundo parto, em 2025, ela teve acompanhamento de Tati Marinho em uma casa de parto.

"A Tati foi me conduzindo de uma maneira extraordinária, eu sempre falo que a doula é como um copiloto, sabe? Ela não tira o protagonismo do parto, mas vai te ajudando a encontrar o caminho, te dando segurança quando tudo parece muito intenso", relembra.

Para Byanca, a presença da doula fez toda a diferença em sua experiência de parto, tornando o momento mais leve, acolhedor e seguro. Ela descreve o acompanhamento como um apoio constante, quase intuitivo, em que se sentiu compreendida mesmo nos momentos mais intensos da dor. Essa confiança, segundo ela, ajudou a viver o parto de forma mais consciente e respeitosa com o próprio corpo.

"Teve uma hora que eu pedi pra deitar, e ela me ajudou a entender meu corpo, depois percebi que aquela posição era muito parecida com a do nascimento da minha primeira filha, e aquilo me trouxe um alívio enorme, como se meu corpo lembrasse o caminho", conta.

Byanca também destaca o ambiente de acolhimento vivido na casa de parto e o respeito às suas escolhas durante o processo."Eu senti que tudo ali era sobre mim, sobre o que eu precisava. Colocaram música, me deixaram confortável, respeitaram meu tempo", afirma.

Em outra vivência, Byanca também recorda o quanto o apoio emocional pode transformar o momento do nascimento. "Ela me passava muita confiança. Quando eu sentia dor, ela vinha, me acalmava, fazia massagem, era como ter alguém que te lembra o tempo todo que você consegue, que você não está sozinha", relata.

Para ela, essa experiência deixa um recado claro. "Toda mulher merece isso no parto: ser ouvida, ser respeitada e ter uma equipe que realmente esteja com ela naquele momento", conclui.