Operação "Buraco Sem Fim" apreendeu quase meio milhão em espécie na Capital
Investigação apura supostas fraudes em serviços de tapa-buraco realizados nas administrações municipais de 2018 a 2025
12 MAI 2026 • POR Sarah Chaves • 10h38Quase meio milhão de reais em dinheiro vivo foi apreendido durante a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na manhã desta terça-feira (12), em investigação que apura suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco e manutenção de vias em Campo Grande. Ao todo, foram encontrados pelo menos R$ 429 mil em espécie durante o cumprimento dos mandados.
Segundo o MPMS, só na casa de um servidor foram apreendidos R$ 186 mil em dinheiro vivo. Em outro endereço alvo da operação, equipes encontraram mais R$ 233 mil em notas de real.
A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), em conjunto com o Gaeco, a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital. Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.
Conforme o Ministério Público, o esquema investigado teria ocorrido entre 2018 e 2025, abrangendo as gestões do ex-prefeito Marquinhos Trad e da prefeita Adriane Lopes. As apurações apontam para fraudes sistemáticas na execução dos serviços de manutenção de vias públicas, com manipulação de medições e pagamentos indevidos.
De acordo com o MPMS, os pagamentos realizados não correspondiam aos serviços efetivamente executados, o que teria permitido desvios de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos investigados e contribuído para a má qualidade das ruas da Capital.
Levantamento da investigação indica que a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113,7 milhões no período analisado.
Entre os alvos da operação está a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). Conforme divulgado anteriormente pelo JD1, o coordenador do serviço de tapa-buraco, Edivaldo Aquino, foi preso durante a ação. O engenheiro Mehdi Talayeh, que atua como coordenador na pasta, também foi detido.