Agronegócio

Europa endurece regras e governo promete adaptar cadeia da carne brasileira

União Europeia quer mais rastreabilidade e controle sanitário na produção bovina; setor teme impactos e custos

13 MAI 2026 • POR Sarah Chaves, com CNN • 12h50
Congresso da Abramilho com ex- ministra Tereza Cristina, ministro André de Paula e vice-presidente Geraldo Alckmin - Fernanda Pressinot

O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou na terça-feira (12), que o governo brasileiro vai trabalhar para atender às novas exigências da União Europeia sobre a produção de carne bovina. As novas regras envolvem controle sanitário mais rígido, rastreabilidade dos animais e maior fiscalização da cadeia produtiva.

Segundo o ministro, o governo foi surpreendido pela antecipação do debate, já que o tema ainda vinha sendo discutido tecnicamente entre representantes brasileiros e europeus.

“Fomos surpreendidos. Foi uma antecipação de uma questão que estava sendo debatida tecnicamente”, declarou durante o Congresso da Abramilho, em Brasília.

A principal preocupação do setor é que as novas exigências não tratem apenas da redução do uso de antibióticos. A União Europeia também quer mais garantias sobre a origem dos animais, comprovação sanitária e separação da produção, o que pode exigir mudanças em parte da estrutura da pecuária brasileira.

Mesmo assim, André de Paula afirmou que o Brasil seguirá exportando carne para os países europeus e disse que o sistema brasileiro de defesa agropecuária é confiável.

“O Brasil tem um sistema sólido e robusto de defesa agropecuária. Somos os maiores produtores de proteína animal do mundo. Exportamos para 170 países e estamos há 40 anos na Europa. Vamos seguir exportando para a Europa”, afirmou.

O ministro confirmou ainda que representantes do governo brasileiro já se reuniram com o embaixador do Brasil junto à União Europeia para discutir os primeiros pontos das novas regras. Segundo ele, novas reuniões devem ocorrer nos próximos dias para esclarecer detalhes considerados ainda indefinidos pelo governo.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que as análises podem ocorrer “cadeia por cadeia”, avaliando separadamente os diferentes setores do agronegócio brasileiro.

Durante o evento, a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina também comentou os desafios enfrentados pelo agronegócio. Segundo ela, guerras internacionais têm impactado o preço dos fertilizantes e aumentado problemas logísticos no comércio global.

Além disso, Tereza Cristina criticou os juros altos do crédito rural e disse que o atual modelo do Plano Safra já não atende às necessidades do produtor brasileiro.

“Pegar dinheiro a 18% ou 22% é uma insanidade”, afirmou.